A contaminação por Sars-CoV-2 se comporta diferentemente em capitais e interior

Estudo mostra como a disseminação do vírus se comporta em áreas com diferentes densidades de população.

Há quase um ano o vírus Sars-CoV-2 tem se espalhado pelo mundo, principalmente via contato físico direto, e levado a epidemia para diferentes bairros, cidades e países, em resultado aos deslocamentos cotidianos da população. No final do ano passado, evidências indicaram que o principal ponto de disseminação  foi Wuhan, China, mas um estudo publicado na Revista Science afirma que depois de ter saído de lá, a falta de políticas de incentivo ao isolamento social e de higiene, podem ter contribuído mais para o difusão  da doença do que viagens de avião de longa distância.

Porém, há falta de evidências que mostrem os efeitos dos principais fatores geográficos na transmissão local do Sars-CoV-2. Para buscar preencher essa lacuna, em artigo publicado na Revista Nature, cientistas analisaram o número de casos junto a variáveis espaciais em cidades chinesas e italianas. A equipe buscou entender qual é o papel de fatores como urbanização, densidade populacional, distribuição da densidade, clima e variação nas intervenções públicas para a disseminação do vírus nas diferentes cidades. Os dados incluíram idade e sexo, histórico de viagens e algumas datas chave: início de sintomas, hospitalização e confirmação da Covid-19.

O modelo matemático utilizado prevê picos curtos e intensos de casos de Covid-19 tanto em cidades não tão populosas quanto nas grandes capitais, onde residentes circulam de forma mais restrita, apenas na área de seus bairros. Depois de ser modelado em cima de dados da China e da Itália, o cálculo foi aplicado a 310 cidades do mundo. E os resultados mostraram que as cidades urbanas mais populosas, como Madri, na Espanha, tendem a vivenciar surtos mais longos do que cidades menores do interior.

Os pesquisadores afirmam que o trabalho traz suporte empírico para entender o papel da organização espacial na determinação da dinâmica e das variações de transmissibilidade de doenças infecciosas. Soma-se que os resultados corroboram o que se encontrou no comportamento da transmissão do vírus influenza. Ademais, o estudo mostrou que devido à baixa incidência de contaminação em cidades menores – e por consequência disso, a baixa imunidade da população -, o risco de novos casos pode ser elevado depois da primeira onda da epidemia. 

Porém, vemos que em cidades mais populosas, as reduções da mobilidade – como resultado de estratégias não-farmacêuticas de contenção da pandemia – tendem a ser maiores, o que pode ser mais efetivo para a contenção da contaminação por Sars-CoV-2. Portanto, este tipo de estratégia governamental, que é a mais utilizada desde o início da pandemia, é importante de ser estudada para entendermos como tal intervenção – redução da mobilidade nas cidades ao redor do mundo – resulta na diminuição do contato entre círculos dos cidadãos e, por consequência disso, na atenuação do contágio. 

 

Por Luiza Mugnol Ugarte

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