A importância da Vigilância Genômica no controle da pandemia


 

 

Dentre os assuntos mais discutidos no momento, estão as variantes do novo coronavírus e os desafios que elas impõem aos sistemas de saúde em diversos países, como Inglaterra, África do Sul e Brasil, principalmente no estado do Amazonas. A importância de sequenciar os vírus e acompanhar suas variantes ao longo do tempo foi tema da apresentação do Dr. Renato Santana, pesquisador do IDOR e da UFMG, no Simpósio Nacional em Vacinas da Rede D’Or São Luiz. O encontro online, realizado no dia 30/01, reuniu cerca de mil participantes para ouvir importantes especialistas que apresentaram um panorama completo da evolução da Covid-19 e discutiram as perspectivas atuais para o controle da epidemia por meio da imunização ativa.

O Dr. Renato explicou que o sars-cov-2 é um vírus que possui RNA como material genético, o que o torna mais propenso a sofrer mutações genéticas quando comparado aos vírus DNA. Isso ocorre porque vírus com genomas de RNA são replicados por enzimas que possuem uma maior propensão ao erro, o que significa dizer que vírus de RNA naturalmente acumulam mutações durante o seu processo de multiplicação. Dessa forma, quanto mais seres humanos forem infectados por SARS-CoV-2, mais vírus serão multiplicados, aumentando a chance do surgimento de novos vírus carregando mutações.

A variante identificada no estado do Amazonas, que tem causado grande preocupação, apresenta uma alteração na proteína que o vírus utiliza para penetrar na célula do hospedeiro, o que aumenta a carga viral e consequente aumento da transmissibilidade da Covid-19, sem que isso determine uma maior gravidade da infecção.

O pesquisador ressaltou, contudo, que o grande responsável pela atual situação de colapso em alguns estados brasileiros no momento é decorrente de uma soma de fatores incluindo: aglomeração humana sem medidas de proteção, mutações no vírus que aumentam a transmissibilidade e a falta de estrutura de hospitais e unidades de assistência básica de saúde nos estados afetados.

Acompanhar as mudanças na sequência genética do vírus é fundamental para rastrear suas mutações, entender a evolução da epidemia e discutir as possibilidades de contenção da infecção. Este monitoramento recebe o nome de vigilância genômica.  

No momento, Dr. Renato está envolvido em um projeto multi-institucional, resultado de uma parceria do IDOR com o Instituto Serrapilheira, com a participação da Universidade Federal de Minas Gerais, que está reunindo dados genéticos do novo coronavírus em mais de 10 estados brasileiros, incluindo o Rio de Janeiro, e rastreando o caminho dos novos variantes de sars-cov-2 no Brasil. O projeto irá contribuir muito para o mapeamento evolutivo das variantes genômicas em nosso país, o que deve trazer dados relevantes para maior controle epidemiológico.

Clique aqui para assistir à palestra completa do Dr. Renato Santana sobre Variantes Virais do novo coronavírus e confira os outros temas do evento!

Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.
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