Atualizações da última semana das pesquisas com Sars-Cov-2

Saiba mais sobre os principais achados da última semana, desde vacina até isolamento social.

A Revista Nature publicou as últimas atualizações sobre como estão andando os estudos da vacina contra o coronavírus. Os estudos aqui trazidos são os da última semana.

30 de julho – macacos e vacina

Pesquisadores dos Países Baixos e dos Estados Unidos deram a 32 macacos rhesus uma única dose dentre 7 vacinas disponíveis. Cada vacina compreendia um vírus respiratório enfraquecido que codifica uma das sete formas da proteína spike do Sars-CoV-2. O resultado foi que quase todos os macacos produziram anticorpos neutralizantes – que podem bloquear a infecção e foram associados à proteção contra o vírus – e células T – que desencadeiam outras respostas imunes.

O grupo também constatou que a mais potente das vacinas preveniu infecção dos pulmões em todos os 6 animais que receberam a vacina, e infecção nasal em 5 dos 6.

29 de julho – células imunes contra o vírus em pessoas não expostas

Pesquisadores encontraram que as células T estão preparadas para atacar o novo coronavírus, mesmo naquelas pessoas que não foram expostas a este. A equipe analisou amostras de sangue de células T que reagem à proteína spike do Sars-CoV-2, promovendo assim outra via de imunidade, além da estabelecida  pelos anticorpos.

O estudo verificou que 83% dos participantes com Covid-19 e 35% dos saudáveis, que não foram expostos à Sars-CoV-2, apresentaram células T no sangue. A especulação dos autores é de que estas células reativas podem ter sido geradas em doadores saudáveis durante infecções passadas com coronavírus “parentes” do Sars-Cov-2, mas ainda não está claro se elas oferecem proteção contra Sars-CoV-2.

27 de julho – China e seu poder de controle do vírus

A China conseguiu medir o sucesso do controle do novo coronavírus, via testagens e isolamento social, com uma métrica chamada de intervalo serial. Esse intervalo é o tempo médio entre o início dos sintomas em uma cadeia de pessoas infectadas por um patógeno. Para verificar os valores da China, um grupo de pesquisadores de Hong Kong calcularam um modelo de disseminação do Sars-Cov-2 e descobriram que em um intervalo de 5 semanas o intervalo serial caiu de 7,8 para 2,6 dias. Eles ainda afirmam que tal cálculo pode ser usado em tempo real para verificar a velocidade de transmissão do vírus.

A conclusão do estudo é de que o isolamento precoce de pessoas infectadas impede a transmissão do vírus, a qual teria sido disseminada em um espaço de tempo maior se o isolamento não existisse. No fim, a maioria das transmissões remanescentes aconteceram antes das pessoas infectadas mostrarem sintomas, assim o intervalo serial despencou.

24 de julho – taxas de infecção de cães e gatos se assemelham com as das pessoas

Pesquisadores estudaram 540 cães e 277 gatos que viviam em zonas com altas taxas altas de infecção ou em lares com pessoas infectadas na Itália. Os animais não apresentaram resultado positivo para o RNA viral do Sars-CoV-2, mas em testes adicionais, os pesquisadores descobriram que cerca de 3% dos cães e 4% dos gatos mostraram evidências de infecção, e essas taxas foram compatíveis com as das pessoas infectadas na Europa no momento dos testes. O estudo ainda não foi revisado por pares.

24 de julho – Vírus destrói escola israelense após uso de máscaras ser suspenso

Em maio, após 10 dias da reabertura das escolas israelenses, 153 estudantes e 25 membros de uma escola foram infectados depois da autorização para remoção das máscaras durante uma onda de calor. Depois 87 novos casos foram diagnosticados em pessoas que tinham contato próximo aos infectados. Os autores afirmam que a propagação do vírus provavelmente foi impulsionada pelo aumento do uso do ar condicionado, pela aglomeração em sala de aula – 35 a 38 alunos por sala – e pela suspensão da exigência do uso de máscaras, após uma onda de calor no país.

por Luiza Mugnol Ugarte

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