Cientistas discutem se resquícios genéticos do novo coronavírus podem ser fonte de contágio

Em outras doenças causadas por essa família viral o material não era infeccioso, no entanto especialistas ainda avaliam o risco nos casos de COVID-19

 

Especialistas já identificaram a presença do novo coronavírus em fezes de pacientes e  relataram que nossos esgotos estão contaminados com amostras virais; observou-se também que o RNA do vírus resistiu 17 dias em cabines de um cruzeiro não higienizado; porém, o que as pesquisas não conseguiram responder ainda é se isso representa um grave risco de contágio para a população. Ainda que a contaminação possa ser evitada através da higienização, não sabemos ainda por quanto tempo pacientes que se recuperaram da Covid-19 podem ser fonte de transmissão, nem até que ponto componentes virais isolados encontrados em fezes e secreção podem oferecer risco de contágio.

No fim de abril, um estudo que foi publicado no periódico científico British Medical Journal (BMJ), analisou durante quatro semanas a carga viral de 96 pacientes com Sars-CoV-2 na província de Zhejiang, China. As cargas virais em amostras respiratórias, de fezes, plasma e urina foram examinadas utilizando o teste PCR. No final dessas quatro semanas, mais da metade dos pacientes ainda testou positivo para Sars-CoV-2 em amostras respiratórias e um terço nas amostras de fezes. Mas, os cientistas não sabem ainda se encontrar resquícios virais em pacientes significa que essas pessoas são transmissoras em potencial.

Uma limitação importante na testagem através de PCR é justamente a incapacidade de diferenciar se os testes positivos sinalizam a capacidade de  replicação real do vírus ou se é a detecção de um material viral não-infeccioso. 

Durante a epidemia de Mers, doença causada por outro tipo de coronavírus, o RNA viral também era detectado nas fezes de pacientes, porém, uma pesquisa comprovou que esse componente quando encontrado isolado não era infeccioso, e portanto não ofereceria riscos de transmissão para outras pessoas. Contudo, durante a pandemia da Sars, doença causada por outra espécie de coronavírus (Sars-CoV-1), também foram divulgados relatórios de resultados positivos de PCR nas fezes de pacientes recuperados dos sintomas, mas com uma impressão diferente do risco que representavam. Um destes estudos  foi realizado por pesquisadores especializados na doença em Taiwan, e afirmou que a contaminação através do RNA viral presente em superfícies poderia ser possível.

Diante de resultados que indicam tantas  incertezas, a melhor solução, enquanto se aguarda mais estudos, é não desconsiderar a possível presença de RNA viral em pacientes em recuperação, mantendo-se os cuidados para evitar o contato com suas fezes e secreções respiratórias.

Escrito por Maria Eduarda Ledo

Quer receber as notícias do IDOR pelo WhatsApp?
Clique aqui, salve o nosso número e nos mande uma mensagem com seu nome completo.
E para cancelar, basta pedir!

Veja também