Contaminação voluntária por coronavírus traz mais riscos do que imunização


Especialistas argumentam que planejar efeito rebanho durante a pandemia não é uma boa ideia.

O termo imunidade de grupo, ou efeito rebanho, ganhou popularidade desde o início da pandemia do coronavírus (SARS-CoV-2). Seu significado remete aos benefícios de vacinas, pois o processo acarretaria em receber propositalmente no corpo o vírus invasor, mas depois ficar imune às doenças por ele causadas. Muitas pessoas acreditam que esta pode ser uma solução para a atual pandemia, pois o efeito rebanho, em teoria, reduziria o número de doentes e transmissores, beneficiando toda a comunidade.

Porém, será que se infectar de propósito com SARS-CoV-2 é uma boa ideia para ganharmos imunidade de grupo? A resposta é não, segundo a Dr. Greta Bauer, professora de epidemiologia e bioestatística, que publicou um artigo no New York Times elegendo os perigos que corremos pelo contágio planejado. A principal questão a se levar em conta é que não conhecemos os riscos da contaminação em nossos corpos e Bauer levanta alguns pontos que devem ser levados em consideração ao pesarmos nessa questão.

Primeiro, temos que considerar que a imunidade pode durar por tempo indeterminado. Sendo assim, se uma população se expõe e se contamina, ela pode fica imune por meses ou anos, não sabemos o tempo exato. Além disso, a reinfecção pode ser possível, ou seja, a pessoa pode se infectar novamente com coronavírus SARS-CoV-2, e as consequências dessa segunda infecção não são claras para a ciência. Relatos da Coreia do Sul mostram que pessoas que já haviam se curado da COVID-19 voltaram a testar positivo para o vírus, aparentemente devido à reativação do novo coronavírus no organismo.

Consideremos também que o vírus segue vivendo dentro da pessoa depois do fim do ciclo de contágio, e não sabemos no que isso resulta. Alguns vírus permanecem em reservatórios no corpo e podem causar doenças mais tarde na vida, mas ainda carecemos de estudos longitudinais para obter mais informações sobre as ações do SARS-CoV-2. Essas incertezas se acrescentam ao fato de que pessoas jovens também podem ser hospitalizadas pela doença, como mostrou um relatório publicado nos EUA, que afirmou que hospitais tiveram uma porcentagem significativa de internações de pacientes abaixo dos 60 anos. Em outras palavras, não sabemos se o efeito rebanho irá reduzir o risco da reinfecção ou resultar em um desenvolvimento ainda mais massivo da doença, que pode ser severa e fatal.

Esses motivos nos levam a concluir que a imunidade de grupo, suposição que exige a contaminação de grande parte da população, não é uma boa ideia a se efetivar. Visto que consequências graves resultam da contaminação não proposital, a infecção voluntária pode deixar o sistema de saúde ainda mais saturado, o que aumenta o risco do esgotamento de leitos hospitalares e resulta em mais mortes daqueles na fila de espera. Enquanto vacinas são desenvolvidas, é hora do governo organizar testagens em massa para encontrar a melhor maneira de abranger o cuidado a todos, inclusive aos que não podem seguir na quarentena.

Escrito por Luiza Mugnol Ugarte

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