Curso de Psicanálise no cotidiano hospitalar: experiências, afetos e reflexões

Curso do IDOR capacita psicólogos para cuidar de pacientes em situação de internação hospitalar

O sofrimento pode se apresentar de diferentes formas na vida dos pacientes, desde àqueles sob tratamento temporário de alguma lesão ou doença, até aos que estão em condições mais delicadas de observação médica, exigindo o internamento hospitalar. Neste segundo caso, porém, o sofrimento que se iniciou fisicamente, como uma dor ou desconforto corporal, tem chances de expansão para um sofrimento psíquico, o que também exige atenção e cuidado por parte de profissionais especializados da saúde.

Ao ser internada, a pessoa enferma deixa o conforto de sua casa e estabilidade de sua rotina para se ajustar a um cotidiano hospitalar, que inclui horário e controle para as refeições, medicamentos e procedimentos invasivos, além de diversas regras hospitalares que têm como foco a recuperação do paciente, mas que podem acabar ferindo sua autonomia e individualidade. Essas mudanças e condições podem afetar o bem-estar mental dessas pessoas, quadro que deve ser acompanhado por profissionais qualificados, tendo em vista que a saúde mental do paciente influi também no êxito de seu tratamento e na sua qualidade de vida após o período de internação.
Um estudo revelou que o quadro de estresse para pacientes internados é ainda mais preocupante para os que estão em Unidades de Terapia Intensiva. A pesquisa foi publicada na Revista Brasileira de Terapia Intensiva e apontou que, como pacientes em UTI estão em situações mais delicadas de saúde, a visita de familiares também é reduzida, o que é um agravante para o desenvolvimento de condições psicológicas como ansiedade, depressão, raiva, negação e dependência, além de delirium, um distúrbio psiquiátrico que pode ocorrer com o tempo de internação.

Para melhorar a qualidade do atendimento a essas pessoas e sua estadia no hospital, a psicologia hospitalar é a área responsável por ouvir e avaliar a condição mental dos pacientes, alinhando o diagnóstico com a equipe médica e compreendendo a melhor maneira de seguir com cada caso. Além disso, os psicólogos também dão suporte aos familiares, já que uma doença esgota emocionalmente não apenas quem está doente, mas também aqueles que o amam e o acompanham de perto durante o tratamento.

Estando ciente disto, O IDOR oferece em seu Centro de Ensino e Treinamento o curso de Psicanálise no cotidiano hospitalar: experiências, afetos e reflexões, que inicia suas aulas a partir da próxima semana. Suas coordenadoras, Patricia Danan e Deborah Melo, são ambas psicólogas do Quinta D`Or e dizem que a ideia do curso foi pautada nos dezoito anos de atuação do Serviço de Psicologia do hospital. As aulas interessam a psicólogos e graduandos em psicologia a partir do oitavo período, tanto aos que desejam conhecer o campo da psicologia hospitalar sob óptica da psicanálise, como àqueles que já realizam algum trabalho clínico em hospitais. Segundo Deborah Melo, o curso capacitará os alunos na construção de um olhar diferenciado para a inserção do serviço de psicologia e sua contribuição na humanização do atendimento ao paciente internado.

As aulas, ministradas no Centro de Simulação Realística do IDOR, irão articular a conceituação teórica do Serviço de Psicologia com a prática psicanalítica, fazendo com que os psicólogos vivenciem cenários tanto de situações cotidianas como casos desafiadores, que servirão como partida para reflexões teórico-clínicas sobre o paciente, sua família e a equipe de saúde que estaria alinhada no processo. “É através das ferramentas que a psicanálise nos oferece, como a escuta do sujeito do inconsciente, que torna-se possível tratar daquele que sofre, alternando sua posição subjetiva frente ao sofrimento”, conclui Patrícia Danan acerca do curso.

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