Educação com tecnologia

Em palestra no Instituto D’Or, especialista conta como a tecnologia pode ser uma aliada para o avanço da educação no Brasil.

O uso da tecnologia para a melhoria de serviços, produtividade de empresas e realização de cirurgias, por exemplo, já é realidade ao redor do mundo. No entanto, sua utilização na área de educação ainda é um desafio, inclusive no Brasil. Esse foi o tema da apresentação de Lucia Dellagnelo, diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), que aconteceu na última quinta-feira (28), no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). A palestra foi a segunda da série Ciência e educação: conexões, promovida pela Rede Nacional de Ciência para Educação, em parceria com o IDOR.

Realidade virtual e interface homem-máquina. Não é preciso ir tão longe na imaginação para entender como a inovação pode ajudar o sistema de educação. Muitas dessas iniciativas poderiam ser úteis sem ao menos entrar na sala de aula. Sabe-se que uma das principais carências das secretarias de educação por todo o país gira em torno da burocracia e gestão escolar de merendas, matrículas, transporte dos alunos, entre outros processos. “Ganhos de eficiência nessa área poderiam livrar recursos e tempo”, destaca Lucia.

Dentro da sala de aula, as possibilidades são inúmeras para tornar o ensino mais eficaz. Durante a apresentação, Lucia contou uma pesquisa que realizou durante seu doutorado, em que foi contabilizado o tempo médio dedicado à atividade de aprendizagem durante uma aula de 50 minutos. Os resultados apontaram que apenas entre 15 e 20 minutos, ou seja, menos da metade, eram usados de fato para ensinar. Todo o restante do tempo era gasto verificando a presença dos alunos e se preparando para as atividades, por exemplo. Para a especialista, um simples sistema de verificação eletrônica poderia salvar preciosas horas de aula durante um ano.

Mesmo diante de problemas estruturais encontrados em escolas da rede pública no país, a inovação tem muito a oferecer para alunos e professores. “Não é apenas a presença de computadores que irá tornar as escolas mais propensas à inovação”, salienta Lucia. “É necessário que a presença da tecnologia tenha significância”. Esse é o caso das aulas transmitidas ao vivo pela internet para escolas do interior onde é difícil encontrar professores especializados. Dessa maneira, os alunos, auxiliados por professores de matemática, por exemplo, aprendem em aulas de física e química.

A formação de cidadãos do século XXI, que irão consumir a tecnologia e ajudar a criar novas soluções em inovação, requer que o sistema de ensino esteja preparado para desenvolver as habilidades do futuro. Em outras palavras, a tecnologia deve ir além da simples digitalização do ensino tradicional, gerando transformações no método de aprendizagem. No entanto, os professores não foram treinados para incorporar a tecnologia de modo a produzir um melhor aprendizado nos alunos. Ao redor do mundo, grandes centros vêm criando iniciativas de capacitação de profissionais da educação para que utilizem a tecnologia a seu favor, no que especialistas chamam de educação 4.0.

O desafio é enorme: dados do último senso dão conta de que o Brasil possui mais de 180 mil escolas, cerca de 50 milhões de estudantes e 2 milhões de professores. “Ainda há alguma resistência para que a cultura da inovação entre no mundo da inovação, mas há muito o que ser feito”, completa Lucia.

Acesse aqui a palestra completa, transmitida ao vivo pelo Facebook.

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