Estudar os tipos sanguíneos pode ajudar a entender o desenvolvimento da Covid-19

Pesquisadores discutem dados sobre a ligação entre o tipo sanguíneo e a gravidade da doença.

Os diferentes tipos de sangue podem implicar em reações diversas para quem se contamina. Isto é o que pesquisas recentes amplamente divulgadas vêm verificando. Em um artigo publicado na revista Annals of Hematology, da Springer, os autores buscaram entender se há associação entre os tipos sanguíneos A, B e O e a gravidade da Covid-19, definida pela intubação ou morte dos pacientes. Também verificaram se há diferenças na testagem positiva para Covid-19 entre os tipos sanguíneos.

A Revista JAMA também publicou um artigo abordando esse tema: doenças e tipos sanguíneos podem estar relacionados. Um estudo realizado nas Filipinas e publicado em 1977 descobriu que as pessoas com sangue do tipo O tinham maior probabilidade de se infectar com a bactéria da cólera, enquanto as pessoas com sangue do tipo A eram menos vulneráveis. Já em 1993, um estudo mostrou que uma pessoa do tipo O pode ter maior probabilidade de se infectar com Helicobacter pylori – bactéria que pode causar úlceras pépticas, alguns tipos de gastrite e de câncer do estômago –, porque sua mucosa gástrica tem mais receptores para o microrganismo, se comparada com a mucosa de pessoas com sangue tipo A e B.

Ademais, durante o primeiro surto de Sars-CoV, no final de 2002, houve indício de que poderia haver uma associação entre o tipo de sangue e a infecção por coronavírus; de 45 profissionais de saúde em Hong Kong, que entraram em contato com um paciente infectado, 34 tiveram Sars-CoV confirmado por exame sorológico. Diferente do estudo com Helicobacter pylori, os profissionais de saúde com sangue tipo O tiveram menos probabilidade de se infectar do que os testados com tipos A e B.

Agora, outros cientistas publicaram mais um artigo – ainda não revisado por pares – que comparou os tipos sanguíneos ABO em 2.173 pacientes com Covid-19 na China, com a da população geral dessas regiões. Os resultados mostram a associação entre o sangue tipo O a um risco menor de infecção, enquanto o tipo A apresenta maior probabilidade de desenvolver a Covid-19. Já um outro estudo, comparou dados do genoma de 1.610 pacientes com Covid-19 grave ao genoma de 2.205 doadores de sangue saudáveis da Itália e Espanha; os resultados mostram que em comparação com pessoas que possuem outros tipos de sangue, as com tipo A tinham um risco 45% maior de desenvolver Covid-19 grave se fossem infectadas, enquanto aqueles com tipo O tiveram um risco 35% menor.

Por fim, mesmo observando todas essas informações científicas, os estudos envolvendo o assunto ainda são considerados preliminares, o que significa que ainda não apresentam bases suficientes para tomar tais declarações como definitivas. “A ciência básica nesse assunto é extremamente fraca”, afirma Christopher Latz, da divisão de cirurgia vascular e endovascular, Massachusetts, Estados Unidos, falando sobre a relação entre o tipo de sangue e a Covid-19.

 

Por Luiza Mugnol Ugarte

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