Genes e a vulnerabilidade ao novo coronavírus

Cientistas verificaram que variação genética herdada do hominídio Neandertal pode agravar a doença Covid-19. 

No decorrer desses meses de pandemia, diferentes estudos foram realizados para investigar as causas e consequências que o novo coronavírus traz à sociedade. Até agora, não se sabe o suficiente sobre os genes envolvidos na patogênese da Covid-19 grave e na falha respiratória associada à infecção e ao desenvolvimento dos sintomas, mas já se sabe que a alta mortalidade está associada à idade avançada e que atinge principalmente pessoas do sexo masculino. Recentemente, uma investigação científica identificou um grupo de genes humanos como sendo um potencial risco para falhas no sistema respiratório acometido pelo novo coronavírus Sars-Cov-2.

Um grupo de cientistas demonstrou que um segmento genômico herdado de Neandertais está associado à formas graves  da Covid-19; essa variação está presente no cromossomo 3 e pode estar em potencial desequilíbrio. Sankararaman e colegas sugeriram que tal mudança genética acessou a população humana via Neandertais ou Denisovans – outra espécie de hominídeos – entre 40.000 e 60.000 anos atrás.

Os pesquisadores indicaram  que os fragmentos de DNA – material que contém instruções genéticas que transmitem as características hereditárias dos seres vivos e de alguns vírus – relacionados a esta vulnerabilidade estão presentes em um Neandertal que viveu até aproximadamente 50.000 anos na Croácia, sul da Europa; outras variantes do DNA também estão presentes em Neandertais de diferentes localidades, mas nenhum ocorreu nos Denisovans. Ou seja, apenas Neandertais, principalmente os fósseis encontrados da região da Croácia, apresentavam as características genéticas de  maior risco para o desenvolvimento das formas graves da Covid-19.

Eles também investigaram se o alelo – variação de um gene – de risco poderia ter sido herdado por um Neandertal que viveu há mais ou menos 500.000 anos atrás. E isso não foi verificado. Sendo assim, seguiu-se com a confirmação do achado de que herdamos tal alelo do ancestral croata. Visto isso, eles também identificaram que tais alelos de risco estão quase ausentes no continente Africano, mas estão presentes com uma frequência de 30% na Ásia, 8% na Europa e 4% entre americanos misturados. Concluiu-se que a variante Neandertal pode, portanto, contribuir significativamente para o risco do desenvolvimento de formas mais graves da Covid-19 em determinadas populações.

por Luiza Mugnol Ugarte

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