Gravações de fala podem ajudar no diagnóstico de Covid-19

Empresa israelense cria aplicativo de celular que pode ajudar médicos a detectar a doença.

Desde o início da pandemia, múltiplas estratégias de estudo têm sido desenvolvidas para que alcancemos mais rapidamente diversos tratamentos para controlar a doença  e evitar as sequelas da Covid-19, ou a tão esperada vacina. Na última década, a ciência vem usando a inteligência artificial para identificar potenciais biomarcadores vocais, ou seja, características da fala que poderiam indicar possíveis doenças, que incluem demência, depressão, transtorno do espectro do autismo e até problemas cardíacos.

Foi nesse caminho que a empresa israelense de análise de vozes, Vocalis, com sede também nos Estados Unidos, pediu a pessoas que doassem a gravação de suas vozes, no esforço de reconhecer a Covid-19. Assim, pessoas com teste positivo para Sars-CoV-2 poderiam baixar o aplicativo de celular e uma vez ao dia descreveriam uma imagem específica e contariam os números entre 50 e 70. Esta notícia foi abordada pela Revista Nature, em artigo publicado no final de setembro.

Depois de 1.500 gravações de voz, a empresa montou uma versão piloto da ferramenta de triagem digital de Covid-19, baseando o processamento das vozes em um sistema de machine learning, o qual ajuda a reconhecer padrões das falas de pessoas que se contaminaram com o novo coronavírus quando comparadas com as gravações de voluntários que testaram negativo.

Agora, os testes seguem ao redor do mundo, mas sem o intuito de fechar um diagnóstico definitivo, e sim para ajudar na triagem de possíveis casos de Covid-19. “Isso não é invasivo, não é uma droga, não estamos mudando nada. Tudo o que precisamos é que você fale”, diz Tal Wenderow, o presidente e chefe executivo da empresa. Previamente, a Vocalis criou um aplicativo de celular que poderia ajudar na detecção de doença pulmonar obstrutiva crônica, ao capturar sinais que mostravam que os usuários estariam com falta de ar ao falar.

Especialistas acreditam que os padrões de fala podem ajudar a sociedade a identificar uma variedade enorme de enfermidades, pois os sistemas de inteligência artificial permitem que epidemiologistas usem celulares para rastrear a propagação de doenças. Björn Schuller, especialista em reconhecimento de fala e emoção, da Universidade de Augsburg, Alemanha, e do Imperial College London, Inglaterra, afirma que no futuro os robôs nos dirão “olhe, você está resfriado”. Mas ainda temos tempo de estudos pela frente, pois este tipo de análise ainda está dando seus primeiros passos, o que pode abrir espaço para  potenciais armadilhas, como diagnósticos errados e possível invasão de privacidade, via acesso de dados sem autorização. Apesar das boas perspectivas, devemos aguardar o desenvolvimento dessa área promissora para que seja realizada com maior precisão sem coletas invasivas.

Por Luiza Mugnol Ugarte

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