IDOR realiza primeira degustação de Café com Ciência

O evento interno teve como objetivo divulgar os benefícios do café e as pesquisas que são realizadas na Unidade de Café e Cérebro do instituto.

Neste mês de dezembro, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) realizou com seus funcionários uma degustação sensorial de café. A bebida, presente no dia a dia de milhares de brasileiros, não é apenas marca da nossa cultura e da nossa economia – afinal, somos o maior produtor e exportador mundial do grão – mas também é um recurso poderoso para a nossa saúde, quando consumido em produtos de qualidade e de forma adequada.

No IDOR, há uma unidade inteiramente dedicada ao estudo do café e de seus efeitos no nosso cérebro. A responsável pela Unidade de Café e Cérebro do instituto, Dra. Silvia Oigman, relata que o que a motivou a fazer a degustação com os colaboradores foi principalmente divulgar e compartilhar os benefícios de um bom café, e o prazer de seu sabor e aroma estão inclusos nisso. “Anualmente, eu saio em busca dos melhores grãos do país. O objetivo é encontrar cafés de alta qualidade, que possuam  alto grau de agradabilidade”, relata Oigman. Formada e especializada em química doe produtos naturais, a pesquisadora informa que o foco dos estudos se encontra principalmente nos voláteis dos grãos de café, isto é, seu aroma e outras substâncias percebidas por nosso olfato.

Dra. Silvia Oigman esteve recentemente na Semana Internacional do Café (SIC), que ocorreu em Belo Horizonte – MG. Durante suas degustações, encontrou um café que chamou sua atenção devido ao seu aroma diferenciado. Mais tarde no evento, este mesmo grão acabou levando o prêmio de Coffee of the Year, maior título da SIC. Segundo Oigman, o café “Recanto dos Tucanos” possuía voláteis intensos e incomuns, um provável resultado de sua produção: a agricultura dos grãos é realizada de forma sintrópica que, diferente da monocultura, preza pela integração e equilíbrio da plantação com o meio ambiente em que se insere.

Oigman trouxe então o café para compartilhar com outros colaboradores do IDOR, aproveitando a ocasião para divulgar os potenciais terapêuticos da planta e seus estímulos no cérebro. “Quando inalamos o aroma do café, podemos ver na ressonância magnética as áreas específicas do cérebro que são estimuladas, entre elas o córtex piriforme, região específica do processamento olfativo, como também a área tegmental ventral e núcleo accumbens, regiões que compõem o sistema de recompensa – responsáveis pela sensação de prazer, córtex cingulado e amígdala, regiões mais associadas às emoções e o córtex pré-frontal, responsável pelo julgamento.”. As descobertas sobre essa ação do café podem ser usadas como terapias não invasivas, objetivo atual do estudo liderado pela pesquisadora.

A química em produtos naturais afirma que apesar de serem vários os benefícios do café, a bebida popular também é cercada por muitas crenças que não possuem evidência científica. Entre elas está o fato de se acreditar que o café forte (mais torrado) é mais rico em cafeína e, por isso, nos deixaria mais acordado. Outro fator que se desconhece, é que a bebida pode ser prejudicial dependendo de sua qualidade e preparo. “Tomar café não filtrado, por exemplo, pode ser prejudicial para pessoas que sofrem de colesterol alto”, graças à presença de diterpenos, substâncias que quando preparadas com filtro de papel ou de pano, ficam retidas na borra”, informa a pesquisadora.