Luz no caminho do desenvolvimento da vacina contra o Sars-CoV-2

O estudo do plasma de convalescentes reforça a esperança de conseguirmos desenvolver uma vacina efetiva.

O estudo dos anticorpos são primordiais para o desenvolvimento das vacinas, o que também vale para  a vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). Enquanto não temos uma vacina que evite que pessoas desenvolvam a doença Covid-19, a partir da  infecção pelo Sars-CoV-2, os estudos dos anticorpos encontrados no plasma de indivíduos convalescentes nos mostram o caminho para o seu desenvolvimento efetivo. 

Foi esta temática a explorada pelo artigo publicado na Revista Nature. Dos homens e mulheres estudados na amostra, 111 pessoas – o equivalente a 70.7% dos participantes –, foram diagnosticadas com Sars-CoV-2, por meio de análises de RT-PCR, e 46, 29.3% da amostra, mantinham contato próximo aos pacientes diagnosticados (contactantes). Apenas um indivíduo do total de 149 voluntários não reportou sintomas previamente a sua inclusão no estudo; todos os outros tiveram sintomas sugestivos de Covid-19.

Amostras de plasma dos participantes foram coletadas e testadas para detecção dos anticorpos produzidos pelo corpo quando infectado com o vírus Sars-CoV-2. A reação do corpo pode ser medida pela atividade neutralizante do plasma destes indivíduos, ou seja, via concentração de anticorpos que combatem o vírus presente no soro humano; estes anticorpos neutralizam o efeito do vírus, por isso recebem este nome.

Os anticorpos direcionados contra o sítio de ligação dos vírus às células – as proteínas S de “spike” – (chamados anti-RBD) se correlacionaram fortemente com a atividade neutralizante. Isso quer dizer que estes anticorpos são um dos mecanismos responsáveis por defender o corpo do Sars-CoV-2. Ademais, os cientistas encontraram que a quantidade desses anticorpos se correlacionou positivamente com idade, duração dos sintomas e severidade dos sintomas. Na mesma linha, indivíduos hospitalizados com maior duração dos sintomas apresentaram níveis de atividade neutralizante maiores do que os não hospitalizados. 

O pesquisadores também encontraram diferença significativa da atividade neutralizante entre homens e mulheres: homens tinham maior concentração de anti-RBD e S IgG, característica não atribuída à idade, severidade ou tempo de coleta da amostra relativa ao início e à duração dos sintomas.

Foram encontradas sequências de aminoácidos – que têm papel importante no corpo para o transporte e armazenamento de nutrientes – parecidas em anticorpos dos indivíduos estudados. Um importante achado deste estudo foi reconhecer 3 diferentes grupos de anticorpos, capazes de se ligar a porções distintas do sítio de ligação (RBD) – parte do vírus Sars-CoV-2 que se liga a enzima ECA2 humana, que funciona como receptor para os coronavírus Sars-CoV-1 e Sars-CoV-2 – e igualmente capazes de neutralizar o vírus.  

Por fim, foi encontrado no sangue dos indivíduos, independente da atividade  neutralizante do plasma, potentes anticorpos neutralizantes tipo anti-Sars-CoV-2 RBD. A partir destes resultados, os autores reforçam a esperança na eficácia de uma vacina capaz de promover a resposta do organismo contra estas estruturas do vírus. Há esperança!

por Luiza Mugnol Ugarte

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