Mais de 100 vacinas contra o novo coronavírus estão em desenvolvimento no mundo

Confira as pesquisas que estão mais próximas dos resultados.


Nesta última sexta-feira (15/05), a Organização Mundial da Saúde disponibilizou um documento com a listagem de todas as pesquisas relacionadas a vacinas contra a Covid-19, que estão em andamento mundo afora. Foram cerca de 120 estudos reconhecidos, dos quais 8 já se encontram na fase clínica – que é a testagem em humanos – em países como China, Reino Unido, Estados Unidos (EUA) e Alemanha.

Nos EUA, a empresa Moderna de biotecnologia, fundada por professores da Universidade de Harvard, comunicou na manhã de hoje (18/05) resultados positivos nos 45 indivíduos testados com seu modelo de vacina, um sinal verde para que o projeto siga sem interrupções. A companhia já realizava outras pesquisas com vírus – incluindo o da zika –, geralmente com enfoque no RNA mensageiro dos vírus, que os permite infectar as células dos hospedeiros.

 

Outro destaque em fase de teste clínico é uma ação conjunta entre instituições e empresas farmacêuticas americanas e alemãs, que também busca agir através da reprogramação do RNA viral. Os pesquisadores afirmam a possibilidade de conseguirem desenvolver uma vacina ainda em setembro, caso os procedimentos sigam o cenário positivo que encontraram até este momento.

 

No Reino Unido, a Universidade de Oxford lidera as previsões de resultado: em meados de junho, os cientistas saberão se seu protótipo foi ou não eficiente no papel de imunizar humanos contra a doença. Já na China, a fase clínica segue em andamento e seus resultados em macacos-rhesus, conhecidos pela similitude que compartilham fisiológica e neurobiologicamente com os humanos, foram positivos para a imunização desses animais.


Publicado recentemente no periódico científico Science, um artigo ressaltou, contudo, a importância de lembrar a complexidade do desenvolvimento de vacinas e o longo tempo necessário para que elas sejam distribuídas de forma segura. Segundo o texto, a criação de vacinas costuma levar anos e, no caso do novo coronavírus, a necessidade de criar um mecanismo de imunização em tempo recorde não pode permitir que se escape de um rígido controle de qualidade. Deve-se ter em mente que esta família viral tem característica de proporcionar uma imunidade minguante e que uma vacina não-segura pode ainda aumentar a susceptibilidade à infecção e ocasionar outras doenças em alguns indivíduos. 

 

Segundo uma revisão realizada pelo Instituto de Virologia Erasmus MC, localizado nos Países Baixos, para alguns vírus como o HIV, dengue e o coronavírus felino, a vacina, além de não ser capaz de proteger o organismo, pode vir a determinar uma maior sensibilidade à infecção pelo próprio vírus, caracterizando uma espécie de “efeito rebote” à tentativa de imunização. Embora essa reação ainda represente um obstáculo para os cientistas de todo o mundo, os autores defendem que uma solução focada no aprimoramento de anticorpos poderia trazer resultados interessantes.

 

Os processos caudalosos que envolvem a criação de uma vacina não devem tirar a esperança trazida pelo sucesso progressivo que estamos encontrando nas pesquisas contra o novo coronavírus. No Brasil, nossos pesquisadores também estão envolvidos nesta corrida científica contra a pandemia, ainda que nossos estudos com vacinas ainda estejam na fase básica

 

Todo o esforço multinacional envolvido neste momento histórico serve para entendermos que, mesmo trabalhando dia e noite, os cientistas precisam de tempo para garantir que vacinas ou medicamentos ineficazes e pouco seguros não venham a prejudicar milhões de pessoas.

Escrito por Maria Eduarda Ledo

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