Maratona do Cérebro – Evento Rio2c

Pesquisadores do IDOR foram destaque no BrainSpace, espaço inaugurado para debater criatividade e neurociência

Semana passada aconteceu o Rio2c, o maior evento da indústria criativa na América Latina. Durante seis dias, a Cidade das Artes foi palco de debates, palestras, games e shows que reuniram empresas de produção de conteúdo, cientistas, profissionais de mídia e artistas nacionais e internacionais para falar de negócios, inovação e criatividade. O evento também oferecia entretenimento e oficinas aos participantes, que iam desde estudantes, universitários e recém-formados até empreendedores e profissionais da indústria criativa em busca de conhecimento e conexões de mercado.

Este ano, o Rio2c inaugurou um espaço de conteúdo dedicado apenas ao funcionamento do cérebro humano, o BrainSpace, que concentrou debates acerca da interação entre homem e máquina, assim como as influências da tecnologia contemporânea nas relações entre as pessoas. Neste espaço, 15 pesquisadores do Instituto D’Or ministraram mais de 17 palestras, além de colaborarem na execução da imersão artística de Alan Macy, neurocientista que colocou os batimentos cardíacos dos participantes para sincronizar um show de luzes na sala.

Além do BrainSpace, os pesquisadores também participaram de um debate na Grande Sala, maior espaço do local, com 1.250 assentos. Stevens Rehen, pesquisador do IDOR e professor da UFRJ, foi moderador da mesa que discutia o aumento da performance do cérebro através de aparelhos e programas tecnológicos, reunindo a opinião de desenvolvedores dessas tecnologias e de neurocientistas, entre eles Jorge Moll Neto, Diretor da unidade de Neurociência Cognitiva e Neuroinformática do IDOR e Presidente do nosso Conselho Administrativo.

No debate, intitulado “Cérebro: a próxima fronteira”, foram exibidos apps para treinamentos cognitivos, aparelhos de neurociência aplicada e cases de avanço em tratamentos tecnológicos não invasivos, que já estão sendo testados internacionalmente na recuperação pós AVC e em outros traumas neurológicos.  Jorge Moll Neto argumentou como era importante trazer esses avanços científicos para o público geral, o que arrecada visibilidade e fomento para o desenvolvimento de novas tecnologias em saúde. “A junção entre ciência e mentalidade empreendedora é uma combinação mágica para o desenvolvimento de soluções na saúde e na qualidade de vida”, comentou. Ao ser perguntado por Rehen sobre o que achava das novas tecnologias influenciando nosso cérebro e nosso futuro, Moll concluiu que a partir de agora nossa evolução deve se dar de maneira mais tecnológica do que natural, mas que os benefícios e desvantagens dessa nova configuração só vão ficar mais claros no futuro.

Talvez seja por apostar numa visão positiva desse futuro que Jorge Moll Neto dedica parte de seus estudos neurocientíficos ao altruísmo. Em outro dia do evento, Moll foi entrevistado pelo jornalista Marcelo Leite no BrainSpace para debater sobre “O cérebro moral e o altruísmo humano”. O pesquisador argumenta que, assim como o egoísmo, o altruísmo humano é um produto natural da evolução da espécie, e que boa parte de nosso cérebro é dedicada a lidar com as situações sociais. Ele explica também que esse processo não surgiu sem uma função, e os estudos apontam que essa relação com o outro é o que permitiu aos grupos humanos a sobrevivência e desenvolvimento. Em pesquisa realizada através de ressonância magnética, o neurocientista mostrou que os sistemas de recompensa do cérebro se ativam quando fazemos bem a alguém. “Era algo que todo mundo já sabia: fazer o bem faz bem. Mas quando vemos isso exposto na ciência, ficamos impressionados”, brincou Jorge.

A Presidente do IDOR, Fernanda Tovar-Moll, também participou das palestras no BrainSpace, onde discutiu e mostrou seus estudos sobre neuroplasticidade. A neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, é um fenômeno que ocorre no cérebro, permitindo que ele modifique suas funções e estruturas de acordo com a própria experiência, configurando um “mapa” mutável chamado de conectoma humano. Essa “maleabilidade” é maior em crianças, mas continua presente mesmo na terceira idade, e é um caminho de estudos que pode se mostrar interessante em tratamentos de doenças como Parkinson e AVC. Fernanda Tovar-Moll, porém, salientou que os estudos que abordam a indução dessa plasticidade cerebral ainda estão no começo, mas que têm mostrado resultados encorajadores, como o uso de neurofeedback, uma espécie de treinamento cerebral que consegue aumentar a atividade cerebral em menos de uma hora. “Nós ainda estamos aprendendo com isso tudo, e vem daí a importância de mais pesquisas nessa área”, concluiu Fernanda.

Quem participou

No dia 24 de abril, Raquel Quimas falou de “Realidade Virtual e Psiquiatria”, Patrícia Bado e Tiago Bortolini debateram sobre a relação entre “Mídia social e vidasocial: os desafios e benefícios de uma vida conectada” e Theo Marins trouxe seus resultados acerca da “Plasticidade do cérebro: rapidez recorde”.

No dia 25 de abril, Erika Rodrigues palestrou sobre “Plasticidade do cérebro: Representação corporal” e Ronald Fisher falou de “Cérebro e Comportamento”, além de participar de outra conversa sobre medo e ansiedade no BrainSpace. Nesse dia, também tivemos Jorge Moll Neto e Stevens Rehen na Grande Sala, com o debate “Cérebro: a próxima fronteira”.

No dia 26, foi quando nossa presidente Fernanda Tovar-Moll falou primeiramente sobre “Imagens do cérebro”, seguida pela entrevista sobre “O cérebro moral e o altruísmo humano”, com Jorge Moll Neto. Também tivemos Gabriel Guerrer falando sobre “Mente e matéria “, Roberto Lent e Luís Fernando Tófoli sobre “Cérebro ético” e Ricardo de Oliveira Souza sobre psicopatia com apalestra “Social Psychopath”.

No dia 27, “Cérebro e recompensas” foi o tema Patrícia Bado. Erika Rodrigues, Fernanda Tovar Moll e Theo Marins participaram do “BrainChats: Neuromodulation tech”.

No último dia de evento, 28 de abril, Roberto Lent deu uma palestra sobre “Cérebro e ética”, Tiago Bortolini sobre “O cérebro social”, RonaldFisher falou de “Cérebro e comportamento”, Julie Weingartner de “O cérebro musical” e Theo Marins e Heitor Siffert Pereira de Souza concluíram a partição do IDOR com o debate “Brain Chats: A multidão que nos habita: micróbios e seu cérebro ”.

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