Medicamentos contendo cloroquina e hidroxicloroquina são testados contra a COVID-19

Apesar de estudos promissores contra a doença, as substâncias podem causar danos à saúde quando em uso não supervisionado

Na semana passada, um estudo realizado na França divulgou que 2 substâncias utilizadas em ensaios clínicos poderiam diminuir a contagem viral do coronavírus (COVID-19). Essas substâncias são a cloroquina, utilizada para tratar a malária, e a hidroxicloroquina, medicamento prescrito para artrite reumatoide e lúpus. Após a divulgação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o governo norte-americano estuda a utilização desses medicamentos no tratamento do coronavírus, e o Ministério da Saúde brasileiro também está analisando a aprovação do uso das substâncias em casos graves de COVID-19.

Diante das notícias veiculadas e toda a movimentação que o evento causou, incluindo complicações de saúde devido à automedicação com as substâncias, a Anvisa esclareceu oficialmente que esses medicamentos só estão registrados no momento para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. O órgão também declara que, apesar de promissores, os estudos realizados ainda não foram conclusivos e, portanto, não comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento ou prevenção do coronavírus, ressaltando o fato de que a automedicação pode representar um grave risco à saúde.

Até então, há alguns testes clínicos em andamento com o objetivo de trazer luz à questão da cloroquina e da hidroxicloroquina, no entanto as expectativas podem estar sendo demasiadas em relação aos dados a respeito da eficácia contra a COVID-19. No momento, a melhor aposta contra a epidemia continua sendo as medidas de contenção, higiene e o investimento em equipamentos de testagem para o correto mapeamento de casos da doença.

Escrito por Maria Eduarda Ledo