Miocardite decorrente de infecção por Sars-Cov-2 em adolescente

Estudo de caso na Itália diagnosticou miocardite em adolescente de 16 anos após infecção pelo novo coronavírus.

Ao longo do tempo temos verificado os efeitos diversos que a infecção por Sars-Cov-2 tem causado em infectados. Alguns achados são apenas estudos de caso isolados, mas ainda assim importantes para entendermos mais sobre as consequências dessa infecção. Nesta linha, a Revista Lancet publicou artigo relatando caso de um adolescente de 16 anos internado na região da Lombardia, Itália, com intensa dor no peito que se espalhava para o braço esquerdo.

Os pesquisadores relatam que durante todo o tempo que o paciente esteve internado, além da febre, o mesmo não apresentou nenhum dos sintomas normalmente relatados de Covid-19; a oxigenação do sangue estava dentro dos limites normais, e nos terceiro e sexto dias, duas radiografias de tórax não mostraram anormalidades. Também, no exame clínico (ausculta cardíaca), os médicos relataram sons cardíacos condizentes com a normalidade e sem sinais respiratórios fora do padrão.

Porém, após realizar um eletrocardiograma e um ecocardiograma, o paciente foi diagnosticado com miocardite aguda – inflamação que se apresenta no miocárdio, músculo do coração – confirmada pelos exames laboratoriais. O coração é basicamente formado por um grande músculo chamado miocárdio, válvulas que orientam o fluxo do sangue e vasos sanguíneos. A inflamação do miocárdio dificulta a ação de bombeamento do sangue que pode levar a  insuficiência cardíaca. Além disso, o processo inflamatório pode interferir com a geração e a transmissão dos impulsos elétricos no coração, abrindo espaço para as arritmias. 

Quanto à conduta médica, o adolescente foi medicado com aspirina para aliviar a dor, que se arrefeceu nas primeiras horas de internação. Porém, o mesmo relatou dores no peito durante a primeira noite, e então foi tratado com antiinflamatório para alívio dos sintomas; também, dias depois, o teste para infecção por Sars-Cov-2 resultou positivo, então foi iniciada terapia com hidroxicloroquina e antiviral. Ao longo dos dias a miocardite foi amenizada e no 12º dia o adolescente estava assintomático e foi liberado para casa.

Por fim, os autores afirmam que pacientes pediátricos que relatam dor no peito e outras características de miocardite aguda, mesmo que não apresentem sintomas respiratórios, devem ser testados para Sars-CoV-2.

por Luiza Mugnol Ugarte

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