Mutações do Sars-Cov-2 encontradas em Singapura

Uma das mutações do vírus causou uma série de contaminações em Singapura, mas não chegou a provocar falta de ar ou mortes

Cada vez que uma mutação de qualquer ser surge na natureza, ela compete com outras existentes. Mas as mutações nem sempre são causas de desgraça, contrapondo o pensamento popular. Pelo contrário, em muitos casos elas facilitam a vida dos organismos. Por exemplo, vírus que estão há muito tempo entre nós tornam-se menos letais ao longo do tempo, como o vírus do resfriado. Do lado oposto, temos vírus extremamente letais, como o Ebola, que tem risco baixíssimo de causar pandemias, pois mata antes mesmo de se espalhar e infectar outras pessoas, o que impede o vírus de mutar e desenvolver outras cepas menos letais.

Foi sobre uma mutação específica do Sars-CoV-2 que um artigo publicado na Revista The Lancet abordou recentemente. No início do ano, entre janeiro e março, 278 pacientes foram testados via PCR para identificar se havia presença do vírus em seus organismos. Os cientistas descobriram que esta cepa do vírus que circulava em Singapura sofreu deleção, ou seja, perdeu um gene da sua composição genética. A deleção caracteriza uma mutação genética, pois o vírus perde um pedaço do gene. Então, quando o vírus foi sequenciado, verificou-se que algumas pessoas carregavam o vírus mutado e outras o “tradicional” – sem mutação – e todas elas poderiam contaminar outras pessoas.

Um subgrupo das pessoas testadas foi acompanhado para a realização do estudo; estas 131 pessoas foram divididas em 3 grupos: 92 delas (70%) tinham o vírus Sars-CoV-2 “tradicional”, o que não sofreu mutação; 10 pessoas (8%) estavam infectadas com vírus misturados, aquele com a deleção e o “tradicional”, e 29 pessoas (22%) estavam infectadas somente com o Sars-Cov-2 mutante. Os grupos que carregavam somente o vírus “tradicional” ou o vírus mutante foram acompanhados. 28% dos 92 (grupo com o vírus “tradicional”) tiveram alto nível de inflamação e necessitaram de tratamento com oxigênio; já, das 29 pessoas infectadas pela mutação, nenhum precisou de oxigênio e os casos foram mais leves. 

Os cientistas do estudo usaram a falta de ar como critério de gravidade da Covid-19, e mostraram que a doença desenvolvida a partir do vírus mutado é menos grave do que aquela advinda do vírus “tradicional”. Será que a tendência da letalidade vai diminuir na medida que mutações menos letais se espalharem pelo mundo? Pode ser, mas temos que lembrar que os processos de mutação podem demorar diversos anos para ocorrer em massa, como foi o caso da gripe espanhola, que hoje tem seu vírus entre nós, mas sem graves consequências. Por enquanto, temos que esperar a vacina, que talvez precise ser reaplicada com determinada frequência, devido às possíveis mutações do Sars-Cov-2.

 

Por Luiza Mugnol Ugarte

Quer receber as notícias do IDOR pelo WhatsApp? Clique aqui, salve o nosso número e mande uma mensagem com seu nome completo. Para cancelar, basta pedir!

 

Veja também