O (in)comum entre a arte e a ciência

Iniciativa de divulgação científica e artística exibe imagens de microscópio e realiza oficinas criativas em escolas públicas do Rio de Janeiro.

 

Até a próxima segunda-feira, dia 18 de novembro, a Artbio estará realizando oficinas e exposições científicas em diversas escolas públicas do Rio de Janeiro. A iniciativa “Amplifique” é um projeto que recebe apoio da Rede D’Or São Luiz (RDSL) e que está em sua segunda edição. Seu propósito é realizar um circuito de exposição de imagens microscópicas – cujas cores e texturas raramente são vistas fora dos laboratórios em que são produzidas. Mas, ao invés de ter suas obras expostas em galerias e museus de arte, o Amplifique tem como objetivo converter ambientes “não artísticos” em espaços de divulgação científica e de práticas criativas. “O objetivo deste trabalho é aproximar as crianças e adolescentes da arte e da ciência. A ideia é fugir dos ambientes artísticos tradicionais, que muitas vezes não são acessíveis para esses jovens por questões financeiras e culturais, e deslocar essa realidade para perto deles, transformando suas próprias escolas nesse ‘espaço artístico’”, informa Igor Fonseca, fotógrafo e um dos fundadores da Artbio.

 

Em todas as edições, uma oficina relacionada à arte ou ciência é gerenciada com os alunos após a exposição. Neste ano, os convidados para sua execução foram os artistas gráficos e colagistas Márcia Albuquerque e Maurício Planel, que já vinham de parcerias antigas com a Artbio, como o projeto Córtex, realizado no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Os artistas levam materiais gráficos como revistas e livros de diversas origens e diferentes datas de publicação e, depois de mostrarem aos alunos exemplos de trabalhos que podem ser realizados através de colagem, os jovens se dividem em grupos para produzirem suas próprias obras usando apenas recortes, tesoura e cola. “ Muitas vezes as pessoas acham que não podem fazer arte porque não dominam técnicas artísticas,como o desenho ou a pintura. Mas a colagem é realizada através de uma prática simples e acessível, que abre uma janela de expressão artística que muitos desconhecem”, relata Márcia Albuquerque.

 

Após as obras estarem prontas, é aberta uma discussão com os autores acerca do que sentiram durante o processo e o que as suas artes os remetem. Nesta etapa, a atividade que parecia simples se traduz em expressões pessoais e questões sociais. Alguns alunos trazem debates sobre racismo, sexualidade, empatia e machismo em suas obras; outros relatam sentimentos solitários e distúrbios mentais como conteúdo da composição. Até mesmo aqueles que não se expressam oralmente, comunicam em seus trabalhos assuntos relacionados a consumismo, violência e consumo de álcool, da mesma forma que algumas artes também revelam uma sensibilidade estética diferenciada. O resultado é uma nova exposição a cada turma que participa da oficina. “O objetivo não é a colagem em si, mas a integração entre os alunos e o exercício de expressão através da arte”, informa Planel.

 

Igor Fonseca relata que a ideia de unir a experiência científica com a artística vem da similaridade entre as duas áreas. “Tanto a ciência como a arte se baseiam em dois princípios comuns: a curiosidade e a criatividade. A Artbio busca trazer iniciativas que estimulem esses sentimentos nas pessoas e principalmente nas crianças, e esperamos que isso possa ser levado para além das exposições e oficinas”, afirma.


Se quiser ver as obras expostas e as colagens realizadas pelos alunos, você pode acompanhar as redes sociais da Artbio e ficar sabendo das próximos projetos da organização.