O primeiro caso de reinfecção por Sars-CoV-2

Homem chega a Hong Kong da Espanha e tem resultado positivo para Sars-CoV-2 em agosto, após ter se curado de Covid-19 em março.

Alguns casos de reinfecção por Sars-CoV-2 estão sendo relatados nos últimos meses. Neste mês, um homem que voltava da Espanha para Hong Kong foi confirmado via testagem de PCR. O viajante chegou ao seu país infectado e assintomático, mais de 4 meses após ter apresentado um quadro de Covid-19. O resultado deste achado está em diversas mídias em inglês, e também foi circulado no Brasil em revistas como El PaísPiauíBBC. Até então, não havia registro tão evidente de reinfecção por Sars-CoV-2, apenas estava confirmado que algumas pessoas podem seguir com o vírus no corpo por certo tempo, enquanto se recuperam da Covid-19.

A testagem genética do vírus em Hong Kong confirmou a reinfecção, sendo que  a primeira contaminação do paciente deveu-se a uma cepa – variedade genética – do Sars-CoV-2 semelhante à que circulava na Ásia em março e abril; enquanto a segunda infecção correspondeu a uma cepa que está em circulação na Europa desde julho. Ou seja, a linhagem viral desta última testagem não existia quando o paciente foi infectado em março. Na primeira infecção o paciente foi internado, devido aos sintomas da doença, e na época a coleta de material viral foi submetida ao sequenciamento genético, assim como aconteceu na segunda testagem, por isso pôde-se comparar os resultados.

Agora questões pairam na discussão sobre a imunidade da população. Uma delas é se pessoas que reincidem na infecção podem também transmitir o vírus, como é comprovado na primeira infecção. Também é importante avaliar se a capacidade de mutação do vírus inviabilizaria alcançarmos a imunidade de rebanho e se isso exigiria da vacinação aplicações mais frequentes na população.

Mas, apesar de todo esse alarme, há esperança! Pesquisadores entendem que o paciente possa ter desenvolvido imunidade, sendo capaz de enfrentar melhor o vírus na segunda infecção, já que ele estava assintomático. O pior seria se ficasse assintomático na primeira vez que se infectou e precisasse de suporte respiratório na segunda infecção. Ou seja, se a reinfecção teria um cenário pior na segunda, mas não foi esse o caso. De qualquer maneira, ainda faltam mais relatos e pesquisas para que possamos entender com mais detalhes o comportamento da reinfecção. Seguimos estudando, e esperando a vacina.

Por Luiza Mugnol Ugarte

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