Pacientes assintomáticos transmitem o vírus da Covid-19 por mais tempo

A resposta imunológica e clínica destes pacientes foi analisada em estudo publicado na Revista Nature.

Desde o início da pandemia, cientistas e equipes médicas têm estudado os possíveis sintomas dos acometidos pela Covid-19, doença decorrente de infecção por coronavírus. Mas, ainda não há descrição completa sobre as características clínicas e respostas imunes de indivíduos assintomáticos, que correspondem a uma parcela relevante dos infectados pelo vírus. Este tema foi abordado por pesquisadores no distrito de Wanzhou, na China, e os resultados foram publicados na Revista Nature, há poucos dias.

Há aumento de evidências de que pacientes assintomáticos podem espalhar o vírus de forma eficiente e esse é um dos motivos pelos quais não conseguimos controlar a epidemia. O grupo estudou 37 indivíduos assintomáticos diagnosticados com Sars-CoV-2 via exame de RT-PCR, sem sintomas clínicos relevantes nos 14 dias anteriores e durante o estudo; e 178 pacientes sintomáticos.

Os resultados mostram que a eliminação viral no grupo  dos assintomáticos durou em média 19 dias (entre 15 e 26), e foi maior do que no grupo sintomático. Ademais, os níveis do anticorpo IgG, um dos marcadores biológicos de que o indivíduo desenvolveu mecanismos de defesa contra o vírus, estavam em níveis menores no grupo sem sintomas durante a fase aguda – nela os sintomas clínicos são mais nítidos após a infecção. Os pesquisadores também observaram que indivíduos assintomáticos exibiram níveis mais baixos de 18 citocinas pró e anti-inflamatórias; elas mediam e regulam a resposta corporal inflamatória e imunitária.

Na amostra analisada também foi observado que os níveis de IgG e de outros anticorpos neutralizantes que estavam altos na hora da recuperação, sofrem uma queda após 2 ou 3 meses. Chamou a atenção o fato de que 40% dos indivíduos assintomáticos se tornaram soronegativos, o que ocorreu apenas em 13% dos que apresentaram sintoma da infecção. O que mostra ser arriscado conceder “passaportes de imunidade” às pessoas já infectadas. Os autores reiteram que o que já é falado desde o início da quarentena deve seguir, como o aumento das intervenções de saúde pública que inclui distanciamento social, higiene reforçada das mãos, ambientes e embalagens, uso de máscara ao sair de casa, isolamento dos grupos de alto risco e testagem em massa.

Por Luiza Mugnol Ugarte

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