Reinfecção é identificada em dois trabalhadores da área da saúde na Índia

Investigação verificou casos de reinfecção assintomática por Sars-CoV-2.

 

Há pouco tempo, alguns resultados de pesquisas sobre reinfecção começaram a ser publicados, mostrando evidências de que é possível a recorrência da infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2); a primeira delas veio de um grupo que detectou a reinfecção de um cidadão de Hong Kong, 4 meses e meio depois do primeiro episódio de sua contaminação. No entanto, ainda há poucos estudos de caso em que as pessoas tenham se contaminado mais de uma vez, com dados de exames de detecção do vírus ou de anticorpos que o combatem.

Recentemente a Revista Clinical Infectious Diseases, da Universidade de Oxford, publicou um artigo em que cientistas estudaram os genes do novo coronavírus presentes em exames de dois trabalhadores da área da saúde na Índia. O primeiro teste de RT-PCR – método de análise clínica usado para a detecção do Sars-CoV-2 – que resultou positivo para ambos, foi realizado em maio deste ano. Depois de voltarem às suas funções, ambos testaram novamente positivo para o vírus em agosto, mas depois testaram negativo no terceiro exame, realizado em setembro.

Ambas as pessoas foram assintomáticas nas duas infecções, mas na primeira ficaram hospitalizadas devido a políticas institucionais do país. No segundo episódio, as duas carregavam alta carga viral de Sars-CoV-2. Isso foi verificado via análise do genoma do vírus, que identificou nove variantes (tipos) diferentes do vírus em um dos pacientes e dez variantes no outro. Sendo assim, as análises da equipe sugerem que essa reinfecção pode estar ocorrendo em outros casos ao redor do mundo que não são reportados, visto que a maioria das pessoas assintomáticas não realizam os exames para detecção do vírus.

Também destacam que uma variante genética do vírus, encontrada na segunda infecção de um dos voluntários, pode mostrar resistência a anticorpos neutralizantes, que são mecanismos que atuam na defesa das células em nosso organismo, neutralizando os efeitos biológicos que podem ser causados por patógenos, como infecções e outras complicações. Em conclusão, como os indivíduos tiveram alta carga viral na segunda infecção, o estudo sugere que deve haver um controle constante dos profissionais de saúde via exames, mesmo os que já tiveram resultado positivo para o vírus, visto que podem contaminar colegas de trabalho e suas famílias sem estarem cientes da possibilidade de reinfecção.

 

Por Luiza Mugnol Ugarte

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