UTIs devem se preparar para uma possível segunda onda da Covid-19

Estudo do IDOR revela os principais desfechos e recursos utilizados em UTIs de 37 países até o momento

Considerando que em alguns países do mundo já se acena uma aparente segunda onda de casos de Covid-19, utilizar os conhecimentos obtidos nestes 7 primeiros meses de pandemia é essencial para que os sistemas de saúde estejam mais preparados nessa segunda fase. Publicado na semana passada no periódico científico Clinical Microbiology and Infection, um estudo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) considerou dados de quase 70 mil pacientes em 37 países, ressaltando quais os principais desfechos e recursos necessários para as unidades de terapia intensiva (UTIs) durante o tratamento de casos graves da Covid-19.

A pesquisa, que é a primeira revisão sistemática a descrever intervenções e os principais desfechos clínicos de pacientes com Covid-19 em UTIs, foi realizada através da análise de cerca de 3 mil estudos publicados nas plataformas científicas Pubmed, Embase e Cochrane. Foram incluídas na revisão todas as publicações que descreveram os desfechos e os recursos utilizados para o tratamento de pacientes críticos com diagnóstico confirmado de Covid-19. Foram de especial interesse para as análises a mortalidade, tempo de internação hospitalar, utilização de ventilação mecânica, terapia de oxigenação de alto fluxo, ECMO – oxigenação por membrana extracorporal devido à falência cardiovascular ou pulmonar –, necessidade de hemodiálise, uso de medicamentos vasopressores, entre outros. 

Os resultados da pesquisa apontaram para uma alta taxa de utilização de ventilação mecânica, empregada em 58% dos pacientes admitidos na UTI. A mortalidade também foi elevada, sendo de 30% entre esses pacientes e de 59% naqueles submetidos à ventilação mecânica. A internação hospitalar também foi prolongada, chegando a uma média de 9 dias, informação que acende um sinal vermelho para o manejo de leitos na UTI.

Houve ainda um percentual menor de pacientes que necessitou de ventilação não invasiva (25,5%), enquanto o uso de ECMO, embora descrito apenas em 3 estudos, também mostrou uma mortalidade muito elevada, chegando a 90%. Para se ter uma comparação, estudos que descreveram o uso de ECMO como terapia de resgate na pandemia de H1N1, em 2009, relataram taxas de mortalidade bem mais baixas do que as da Covid-19, ficando entre 14% e 41%.

“Considerando que neste momento o mundo pode começar a enfrentar uma segunda onda de casos de Covid-19, os sistemas de saúde precisam saber como otimizar o atendimento com recursos limitados. Este estudo oferece uma perspectiva dos tipos e quantidade de recursos que serão necessários para tratar a população neste cenário, e também apresenta desfechos que são importantes para atentar ainda mais às unidades de terapia intensiva”, informa o primeiro autor da pesquisa, Dr. Rodrigo Serafim, pesquisador do IDOR, professor da UFRJ e supervisor médico da UTI no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro.

Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.

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