Vírus da COVID-19 foi encontrado em navio após 17 dias sem passageiros

Estudos anteriores sugeriam que sobrevivência do vírus em superfícies era de até 72 horas


Na segunda-feira, a Centers for Disease Control and Prevention (CDC) publicou um relatório sobre a descoberta de que o SARS-CoV-2, vírus que causa a COVID-19, pôde sobreviver 17 dias em um navio sem passageiros infectados. A CDC é uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, e estava analisando problemas de saúde pública referentes ao contágio por coronavírus em cruzeiros ao redor do mundo.

De forma geral, cruzeiros são um ambiente muito propício para disseminação de doenças respiratórias, principalmente devido à concentração de pessoas de diferentes idades e nacionalidades em um espaço limitado e por um período prolongado. Desde a emersão da pandemia da COVID-19, vários cruzeiros foram reportados com casos de infecção, sendo o mais conhecido deles o Diamond Princess, navio que ficou cerca de um mês em quarentena no porto de Yokohama, no Japão.

O levante realizado pela CDC avaliava o percurso do contágio e os procedimentos adotados para sua contenção em diversos cruzeiros ao redor do mundo. Segundo o documento, entre fevereiro e março de 2020, três viagens de navios de cruzeiro – incluindo o Diamond Princess –  foram responsáveis por mais de 800 casos confirmados de COVID-19, entre passageiros e tripulação, incluindo 10 mortes. No Diamond Princess, de seus 3.711 passageiros e tripulantes, 712 (19,2%) tiveram resultados positivos para o vírus. Desses, 331 (46,5%) eram assintomáticos no momento do teste e dos 381 pacientes sintomáticos, 37 (9,7%) necessitaram de terapia intensiva e outros nove (1,3%) morreram. 

No mesmo navio, o RNA do SARS-CoV-2 foi identificado em uma variedade de superfícies em cabines de passageiros infectados, mesmo após 17 dias sem a presença destes. Estudos anteriores acreditavam que o tempo máximo de sobrevivência do vírus era de 3 dias, em superfícies de plástico e aço inoxidável. A CDC informou que ainda não haviam desinfectado as cabines quando o vírus foi encontrado e, embora sua resistência seja um tanto alarmante, dados ainda são necessários ​​para determinar se a transmissão ocorreu a partir de superfícies contaminadas. Estudos mais aprofundados seguem em andamento sobre a transmissão de SARS-CoV-2 a bordo de navios de cruzeiro.

Escrito por Maria Eduarda Ledo.