Você tem medo de fantasmas?

Pesquisa relata o cotidiano de quem sofre de fobia do sobrenatural e aponta caminhos para o seu combate.

Quem nunca teve medo de fantasmas? Na maioria dos casos, esse é um sentimento momentâneo que não traz grandes problemas para o dia a dia. Mas quando o medo não é superado e traz prejuízos para o paciente, passa a caracterizar a fobia do sobrenatural. Em estudo recente publicado na revista Frontiers in Psyquiatry, o neurologista e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), Ricardo de Oliveira-Souza, descreve o caso de seis pacientes e propõe que o transtorno seja mais discutido entre especialistas.

A fobia do sobrenatural pode envolver medo de fantasmas, espíritos e bruxas, por exemplo. Além disso, pesadelos com feitiçarias e temas afins também são comuns. Este tipo de fobia, descrito pela primeira vez há 110 anos, pode estar associado a ataques de pânico durante a noite, problemas para dormir, demência e até epilepsia.

“As pessoas assumem que a fobia é mais uma de suas características, então não dão importância pra esse tipo de medo”, comenta Ricardo. Assim, a fobia do sobrenatural é pouco conhecida por psiquiatras e ocultada pelos próprios pacientes, o que impede seu correto diagnóstico e tratamento. No fim das contas, o impacto nas relações sociais e familiares são frequentes. De acordo com o neurologista, a conscientização de que a fobia do sobrenatural é um distúrbio psiquiátrico é importante para o combate desse mal.

O convívio com o transtorno

Na publicação, o neurologista relata a história de seis pacientes com fobia do sobrenatural. Em um dos casos, uma paciente relatou sentir frequentemente “alguém na sala” no final do dia. A presença sentida era do falecido marido, mas poderiam ser outras entidades que ela não conhecia.

Os casos apresentam algumas similaridades. Outro tipo de fobia ou depressão pode estar associada ao transtorno, e geralmente são medos relatados desde a infância ou desencadeados por um trauma. Também, o tratamento com antidepressivos e ansiolíticos, e terapia cognitivo-comportamental ajudaram a diminuir os sintomas e a aumentar a qualidade de vida dos pacientes.

Estudos envolvendo exames de neuroimagem e a investigação de pacientes que sofreram lesões cerebrais podem auxiliar a entender o funcionamento neural por trás do transtorno. Evidências apontam que o comprometimento da amígdala – estrutura cerebral que se ativa em resposta ao medo, por exemplo – e de suas conexões para outras áreas do cérebro podem ser responsáveis pela fobia.

Sobre o futuro nesta área, Ricardo afirma que mais estudos são necessários para entender a relação entre os sintomas deste tipo de fobia e seu impacto sobre o cérebro. Ainda, é incerto como pacientes podem se beneficiar de tratamento medicamentosos, psicológicos ou por técnicas de estimulação cerebral.

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