{"id":2908,"date":"2018-11-09T00:00:00","date_gmt":"2018-11-09T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/\/disgenesia-do-corpo-caloso-e-tema-de-evento-em-salvador\/"},"modified":"2021-12-06T13:47:16","modified_gmt":"2021-12-06T16:47:16","slug":"disgenesia-do-corpo-caloso-e-tema-de-evento-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/disgenesia-do-corpo-caloso-e-tema-de-evento-em-salvador\/","title":{"rendered":"Disgenesia do corpo caloso \u00e9 tema de evento em Salvador"},"content":{"rendered":"<p><em>Este foi o primeiro encontro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para Desordens do Corpo Caloso. A radiologista Fernanda Tovar Moll, presidente do Instituto D\u2019Or, falou sobre sua pesquisa sobre o tema.<\/em><\/p>\n<p>Na segunda-feira (5\/11), cientistas e familiares de pacientes com altera\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o do corpo caloso \u2013 regi\u00e3o que liga os dois hemisf\u00e9rios cerebrais \u2013 estiveram reunidos em Salvador para o <a href=\"https:\/\/encontrocorpocalos.wixsite.com\/2018\" data-rt-link-type=\"external\">I Encontro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para Desordens do Corpo Caloso (ABRDCC)<\/a>. O evento,que incluiu palestras, roda de conversa com familiares e atividades para crian\u00e7as,teve apoio do Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Estadual de Feira de Santana. <\/p>\n<p>A radiologista e presidente do IDOR Fernanda Tovar Moll, em companhia da tamb\u00e9m pesquisadora do IDOR Myriam Monteiro, apresentou evid\u00eancias cient\u00edficas sobre as caracter\u00edsticas neurorradiol\u00f3gicase comportamentais da disgenesia do corpo caloso, nome que se d\u00e1 \u00e0 m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o cerebral. Al\u00e9m de levar conhecimento cient\u00edfico para professores,pais e alunos sobre o transtorno, o encontro serviu para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias das pr\u00f3ximas atividades do grupo e reunir mais pacientes para os estudos na \u00e1rea. AABRDCC \u00e9 uma iniciativa brasileira que segue o exemplo do Cons\u00f3rcio Internacional de Pesquisa do Corpo Caloso e Conectividade Cerebral (IRC5, na sigla em ingl\u00eas). As duas organiza\u00e7\u00f5es planejam novos encontros locais e um congresso mundial para 2020. <\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 2010, o IDOR desenvolve pesquisas sobre a disgenesia do corpo caloso, uma condi\u00e7\u00e3o que pode apresentar quadro cl\u00ednico bastante variado \u2013 incluindo, por exemplo, atraso psicomotor,dificuldades de intera\u00e7\u00e3o social e transtornos de aprendizagem \u2013 e ainda n\u00e3o tem cura nem tratamento espec\u00edficos. Os sintomas e as dificuldades enfrentados pelos pacientes s\u00e3o, geralmente, tratados com fonoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicoterapia e outros recursos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Modelode estudo para a neuroplasticidade<\/strong><\/p>\n<p>Um aspecto dessa m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o que atrai o interesse dos neurocientistas \u00e9 que, na aus\u00eancia total ou parcial do corpo caloso desde o nascimento, o c\u00e9rebro dos pacientes com este problema acaba formando caminhos alternativos para a comunica\u00e7\u00e3o entre os hemisf\u00e9rios direito e esquerdo, diferentemente do que acontece, por exemplo, com pessoas que precisam extrair cirurgicamente esta \u00e1rea cerebral \u2013 uma interven\u00e7\u00e3o realizada em alguns casos de epilepsia. Os pacientes com disgenesia do corpo caloso s\u00e3o,portanto, um exemplo precioso de como o c\u00e9rebro tem capacidade de se adaptar a situa\u00e7\u00f5es adversas, fen\u00f4meno conhecido como neuroplasticidade. <\/p>\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-floatright\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"floatright\" data-rt-max-width=\"40%\" style=\"max-width:40%\">\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5be569c0ba8c6d696604bf97_SUBJ002_n2out.hd_image.jpg\"><\/div>\n<\/figure>\n<p>Quando um indiv\u00edduo remove o corpo caloso j\u00e1 na fase adulta, apresenta uma s\u00edndrome de desconex\u00e3o inter-hemisf\u00e9rica, isto \u00e9, uma dificuldade de processar tarefas que requeiram o trabalho conjunto dos lados direito e esquerdo do c\u00e9rebro. Por exemplo, se estiver vendado e pegar um objeto com a m\u00e3o esquerda, pode ser que o paciente n\u00e3o consiga dizer o nome do objeto, pois, enquanto o tato \u00e9 controlado pelo hemisf\u00e9rio direito, a fala \u00e9 controlada pelo hemisf\u00e9rio esquerdo.<\/p>\n<p>J\u00e1 em pacientes com a disgenesia do corpo caloso \u2013 e que, portanto, nunca tiveram essa parte do c\u00e9rebro completamente funcional \u2013, isso n\u00e3o acontece. Tovar Moll e colaboradores explicaram o porqu\u00ea em <a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2014\/05\/08\/1400806111.abstract\" data-rt-link-type=\"external\">um trabalho publicado em 2014<\/a>. Com a ajuda da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, os cientistas identificaram nesses pacientes vias cerebrais alternativas para conectar os dois hemisf\u00e9rios. Nesses casos, duas estruturas diminutas conhecidas por fazerem conex\u00f5es discretas entre os dois lados do c\u00e9rebro, as comissuras anterior e posterior, abrigam grandes e robustas pontes an\u00f4malas. <\/p>\n<p>No mesmo artigo, os autores descrevem que essas pontes ligam \u00e1reas cerebrais respons\u00e1veis pelo processamento t\u00e1til de objetos. Assim, em um teste de reconhecimento de objetos, os pacientes sem o corpo caloso tiveram desempenho semelhante ao de pessoas saud\u00e1veis, sugerindo que os feixes alternativos podem, de fato, estar substituindo essa regi\u00e3o cerebral.<\/p>\n<p>?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este foi o primeiro encontro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para Desordens do Corpo Caloso. 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