{"id":2916,"date":"2018-10-29T00:00:00","date_gmt":"2018-10-29T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/\/plasticidade-cerebral-em-foco\/"},"modified":"2021-12-06T13:47:38","modified_gmt":"2021-12-06T16:47:38","slug":"plasticidade-cerebral-em-foco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/plasticidade-cerebral-em-foco\/","title":{"rendered":"Plasticidade cerebral em foco"},"content":{"rendered":"<p><em>Tese de doutorado investiga a capacidade que o c\u00e9rebro humano tem de ser treinado e de se adaptar a situa\u00e7\u00f5es adversas como a cegueira.<\/em><\/p>\n<p>?<\/p>\n<p>Em menos de uma hora de exerc\u00edcios, seu c\u00e9rebro pode mudar a forma como os neur\u00f4nios se ligam uns aos outros, fortalecendo e tornando mais eficientes as conex\u00f5es entre as c\u00e9lulas nervosas. O que isso representa? Bem, que o c\u00e9rebro humano \u00e9 capaz de se reinventar, com uma pequena ajuda externa \u2013 uma sess\u00e3o do que os cientistas chamam de neurofeedback, t\u00e9cnica que consiste em mostrar a uma pessoa sua pr\u00f3pria atividade cerebral, para que ela tente control\u00e1-la. Em sua pesquisa de doutorado, defendida na sexta-feira (26\/10) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o biom\u00e9dico Theo Marins demonstrou, de forma pioneira, que apenas uma hora de treinamento \u00e9 capaz de causar mudan\u00e7as estruturais no c\u00e9rebro humano. O trabalho foi desenvolvido em parceria com o Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro humano tem grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, um fen\u00f4meno conhecido como neuroplasticidade. Embora a plasticidade cerebral aconte\u00e7a naturalmente \u2013 por exemplo, quando se sofre uma les\u00e3o no c\u00e9rebro ou se enfrenta uma doen\u00e7a neuropsiqui\u00e1trica \u2013, h\u00e1 alguns anos cientistas v\u00eam buscando uma forma de orientar essa adapta\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro para ajudar pacientes com diferentes problemas no sistema nervoso central. O neurofeedback \u00e9 uma forma segura e indolor de se fazer isso.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, orientada pelos pesquisadores do IDOR Fernanda Tovar-Moll e Jorge Moll Neto, Marins convocou 36 volunt\u00e1rios saud\u00e1veis para participar de uma sess\u00e3o de treinamento em m\u00e1quina de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. O aparelho foi usado para monitorar a atividade cerebral dos participantes enquanto cumpriam duas tarefas: primeiro, mexer os dedos das m\u00e3os em uma ordem pr\u00e9-determinada; em seguida, imaginar o mesmo movimento, mas sem mover realmente os m\u00fasculos. Conforme o esperado, as regi\u00f5es do c\u00e9rebro ligadas ao movimento das m\u00e3os s\u00e3o fortemente ativadas quando o indiv\u00edduo faz o movimento. Por outro lado, quando o movimento \u00e9 apenas imaginado, essa ativa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais sutil.<\/p>\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-floatright\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"floatright\">\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/5bd742a6aab8781b180293e0_feed.png\"><\/div><figcaption>Dentro da m\u00e1quina de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, os volunt\u00e1rios da pesquisa observavam um term\u00f4metro como este, que subia e descia, em tempo real, de acordo com a atividade cerebral. O objetivo era manter o n\u00edvel mais alto poss\u00edvel, o que indicava que a tarefa de imagina\u00e7\u00e3o de movimento estava recrutando \u00e1reas cerebrais envolvidas na movimenta\u00e7\u00e3o real dos dedos da m\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O objetivo do experimento era saber se o neurofeedback ajudaria os participantes a treinarem seus c\u00e9rebros para responder \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do movimento da mesma forma como respondiam quando, de fato, executavam a dan\u00e7a com os dedos. Para isso, um software traduzia a atividade cerebral dos volunt\u00e1rios sob a forma de um term\u00f4metro \u2013 quanto melhor a performance no exerc\u00edcio, mais alto o indicador subia, manifestando ao participante que ele estava no caminho certo e seu c\u00e9rebro estava recrutando as regi\u00f5es esperadas para o movimento, mesmo sem mexer os dedos. \u201cObservamos que, de fato, as pessoas conseguiram aprender, muito rapidamente, a controlar a pr\u00f3pria atividade cerebral, a ponto de causar mudan\u00e7as estruturais em seu c\u00e9rebro\u201d, relata o rec\u00e9m-doutor.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro por quanto tempo essas altera\u00e7\u00f5es perduram no tempo, mas, segundo Marins, o resultado \u00e9 promissor e pode abrir caminho para novas terapias. \u201cAcredito que o neurofeedback poderia ajudar na reabilita\u00e7\u00e3o de pacientes com doen\u00e7as como Parkinson ou acidente vascular cerebral, por exemplo, j\u00e1 que nossos resultados mostram que podemos interferir sobre a circuitaria cerebral que controla o movimento\u201d, aposta.<\/p>\n<p><strong>Cegueira e neuroplasticidade<\/strong><\/p>\n<p>A tese de doutorado incluiu, tamb\u00e9m, outro estudo sobre neuroplasticidade, desenvolvido com pacientes cegos cong\u00eanitos. H\u00e1 tempos os cientistas sabem que essas pessoas, vivendo sem enxergar, desenvolvem maior capacidade auditiva ou t\u00e1til, por exemplo, e que isso ocorre porque as regi\u00f5es cerebrais relacionadas \u00e0 vis\u00e3o acabam ganhando outras utilidades, sendo recrutadas para fun\u00e7\u00f5es como a audi\u00e7\u00e3o e o tato. Como isso acontece, ainda n\u00e3o se sabe, o que acabou motivando o grupo a investigar as conex\u00f5es cerebrais nesses pacientes.<\/p>\n<p>Para isso, Marins e colaboradores decidiram reconstruir, com a ajuda da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e da computa\u00e7\u00e3o, os circuitos cerebrais que ligam o t\u00e1lamo \u2013 um aglomerado de neur\u00f4nios situado na por\u00e7\u00e3o central do c\u00e9rebro \u2013 aos c\u00f3rtices visual e auditivo. \u201cO que observamos foi que, nos cegos cong\u00eanitos, as \u00e1reas do t\u00e1lamo que, em indiv\u00edduos que enxergam normalmente, se conectariam ao c\u00f3rtex visual acabam se conectando ao c\u00f3rtex auditivo\u201d, conta o pesquisador. \u201cEsse fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como plasticidade cruzada\u201d. <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/early\/2018\/10\/23\/449009\" target=\"_blank\" data-rt-link-type=\"external\" rel=\"noopener noreferrer\">O estudo foi disponibilizado no reposit\u00f3rio BioRxiv.<\/a><\/p>\n<p>Em pessoas saud\u00e1veis, ao longo do desenvolvimento, o t\u00e1lamo cria conex\u00f5es com as diferentes regi\u00f5es do c\u00f3rtex. No entanto, com a matura\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, parte dessas conex\u00f5es \u00e9 perdida, restando aquelas relacionadas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada regi\u00e3o cortical. \u201cPara esse amadurecimento acontecer, a pessoa precisa receber est\u00edmulos visuais \u2013 \u00e9 isso o que faz com que a regi\u00e3o do c\u00e9rebro relacionada \u00e0 vis\u00e3o amadure\u00e7a\u201d, explica Marins. \u201cAcreditamos que, nos cegos, as vias relacionadas \u00e0 vis\u00e3o n\u00e3o amadurecem, e mant\u00eam sua conex\u00e3o com \u00e1reas auditivas do c\u00f3rtex\u201d. Por esse motivo, o c\u00f3rtex visual dos cegos \u00e9 mais espesso do que o de pessoas saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tese de doutorado investiga a capacidade que o c\u00e9rebro humano tem de ser treinado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-2916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-novidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4209,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2916\/revisions\/4209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}