{"id":2978,"date":"2018-05-03T00:00:00","date_gmt":"2018-05-03T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/\/sobre-sexo-cocegas-e-ciencia\/"},"modified":"2018-05-03T00:00:00","modified_gmt":"2018-05-03T03:00:00","slug":"sobre-sexo-cocegas-e-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/sobre-sexo-cocegas-e-ciencia\/","title":{"rendered":"Sobre sexo, c\u00f3cegas e ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>\u00c1reas espec\u00edficas do c\u00f3rtex cerebral s\u00e3o respons\u00e1veis pelo processamento<br \/>\nde est\u00edmulos sexuais e das c\u00f3cegas. Entender os mecanismos neurais respons\u00e1veis<br \/>\npela ativa\u00e7\u00e3o desses circuitos cerebrais \u00e9 o principal objeto de estudo do<br \/>\nneurofisiolgista alem\u00e3o Michael Brecht, que, em reconhecimento aos avan\u00e7os<br \/>\ncient\u00edficos proporcionados por seus estudos, recebeu, em 2012, o pr\u00eamio Leibniz,<br \/>\nconferido pela Sociedade Alem\u00e3 de Amparo \u00e0 Pesquisa (DFG). Brecht, que atualmente<br \/>\n\u00e9 pesquisador da Universidade Humboldt e coordenador do Centro de Neuroci\u00eancia<br \/>\nComputacional Bernstein, ambos em Berlim, esteve no Instituto D\u2019Or no dia 26 de<br \/>\nabril para divulgar seu trabalho e conversar com pesquisadores e alunos sobre<br \/>\nneuroci\u00eancia e carreira cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Ainda no s\u00e9culo passado, neurocientistas descobriram que as partes do<br \/>\ncorpo possuem representa\u00e7\u00e3o no c\u00f3rtex sensorial. Essas \u00e1reas seriam<br \/>\nrespons\u00e1veis por receber est\u00edmulos quando nosso corpo \u00e9 tocado ou estimulado:<br \/>\ncabe\u00e7a, m\u00e3os, tronco, pernas etc. No entanto, pouco se sabia a respeito de como<br \/>\nos \u00f3rg\u00e3os sexuais masculino e feminino eram representados no c\u00e9rebro e que<br \/>\nfatores poderiam influenciar seu funcionamento.<\/p>\n<p>Em sua palestra no Instituto D\u2019Or, Brecht compartilhou os detalhes de<br \/>\nsuas pesquisas que culminaram no melhor entendimento dessa circuitaria cerebral.<br \/>\nCuriosamente, seus estudos mostraram que, apesar das genit\u00e1lias de ratos machos<br \/>\ne f\u00eameas serem visivelmente diferentes \u2013 assim como em humanos \u2013, sua<br \/>\nrepresenta\u00e7\u00e3o no c\u00f3rtex cerebral \u00e9 id\u00eantica, o que intrigou o pesquisador.<br \/>\nOutro achado surpreendente foi que, ao contr\u00e1rio de todas as outras<br \/>\nrepresenta\u00e7\u00f5es do corpo no c\u00f3rtex cerebral, a representa\u00e7\u00e3o da genit\u00e1lia<br \/>\npraticamente dobra de tamanho quando os animais chegam \u00e0 puberdade. Na pr\u00e1tica,<br \/>\nisso significa que existe mais informa\u00e7\u00e3o vinda daquela parte do corpo para o<br \/>\nc\u00e9rebro, que, por sua vez, designa um maior territ\u00f3rio de neur\u00f4nios corticais<br \/>\npara processar tal informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de evid\u00eancias originadas por outros estudos que sugeriam que a<br \/>\npuberdade \u00e9 afetada pelo contexto social, Brecht bolou um experimento para<br \/>\nentender se tal contexto tamb\u00e9m afetaria a representa\u00e7\u00e3o da genit\u00e1lia de f\u00eameas<br \/>\ndurante a puberdade.<\/p>\n<p>Publicados em 2017 na revista cient\u00edfica <em xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/1999\/xhtml\"><a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.2001283\" data-rt-link-type=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PLoS Biology<\/a><\/em>, os resultados mostraram<br \/>\nque a representa\u00e7\u00e3o cortical da genit\u00e1lia de f\u00eameas criadas juntamente com<br \/>\noutras f\u00eameas ou na presen\u00e7a (mas sem contato) de machos adultos possui tamanho<br \/>\nnormal. Mas, se as f\u00eameas forem criadas em contato f\u00edsico com machos, \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel observar uma representa\u00e7\u00e3o aumentada da genit\u00e1lia no c\u00f3rtex cerebral.<br \/>\nPara Brecht, os resultados mostram que o contato f\u00edsico \u00e9 mais importante do<br \/>\nque os ferom\u00f4nios, t\u00e3o estudados no contexto do desenvolvimento sexual de<br \/>\nratos. Seu experimento mostrou tamb\u00e9m que a estimula\u00e7\u00e3o artificial da genit\u00e1lia<br \/>\nfeminina, com o aux\u00edlio de uma escova, tamb\u00e9m gerou os mesmos resultados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O c\u00e9rebro que sente c\u00f3cegas<\/strong><\/p>\n<p>Outra linha de pesquisa desenvolvida pelo grupo de Michael Brecht investiga<br \/>\nas bases neurais das c\u00f3cegas. Em outras palavras, quer responder \u00e0 pergunta:<br \/>\ncomo esta sensa\u00e7\u00e3o misteriosa \u2013 e que a ci\u00eancia n\u00e3o entende exatamente para que<br \/>\nserve \u2013 \u00e9 processada no c\u00e9rebro?<\/p>\n<p>Estudos anteriores vinham mostrando que ratos s\u00e3o capazes de sentir<br \/>\nc\u00f3cegas e respondem com vocaliza\u00e7\u00f5es quando as recebem. Mas uma pergunta<br \/>\ncrucial ainda precisava ser respondida: os animais gostam de sentir c\u00f3cegas? A<br \/>\nresposta \u00e9 sim. Os animais procuram pelas c\u00f3cegas e buscam por ela no contato<br \/>\ncom o experimentador, e ainda d\u00e3o pequenos saltos de alegria<em>. <\/em>\u201cEsse tipo de comportamento \u00e9 muito<br \/>\ncomum em diversos mam\u00edferos quando est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de extremo entusiasmo\u201d,<br \/>\nexplica Michael Brecht.<\/p>\n<p>No c\u00e9rebro, o neurofisiologista buscou entender como as c\u00f3cegas s\u00e3o<br \/>\nprocessadas. Analisando as representa\u00e7\u00f5es corticais do dorso do animal, Brecht<br \/>\nobservou maior ativa\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios quando os animais recebiam c\u00f3cegas. De<br \/>\nmaneira surpreendente, o cientista descobriu que os neur\u00f4nios respons\u00e1veis por<br \/>\nprocessar as c\u00f3cegas se ativam antes mesmo de receberem o est\u00edmulo. \u201cOs<br \/>\nresultados mostram que as c\u00f3cegas acontecem no c\u00e9rebro, e n\u00e3o na pele\u201d, conta. <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Visita aos laborat\u00f3rios e bate-papo<br \/>\ncom alunos<\/strong><\/p>\n<p>Durante sua visita ao<br \/>\nInstituto D\u2019Or, Brecht conheceu os laborat\u00f3rios e os estudos desenvolvidos pelos<br \/>\ndiferentes grupos. Participou, tamb\u00e9m, de uma roda de conversa com alunos e<br \/>\njovens pesquisadores, e compartilhou experi\u00eancias do seu dia a dia de pesquisa.<br \/>\nAltos e baixos da carreira, a dificuldade de encontrar posi\u00e7\u00f5es de pesquisador na<br \/>\nAlemanha e a import\u00e2ncia da pesquisa b\u00e1sica para a ci\u00eancia foram alguns dos<br \/>\ntemas discutidos. Brecht ressaltou o desafio que \u00e9 persistir quando se tem uma<br \/>\nhip\u00f3tese cient\u00edfica: \u201cDuvide quando te falarem que \u00e9 imposs\u00edvel. Desafie o<br \/>\nimposs\u00edvel\u201d, frisou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1reas espec\u00edficas do c\u00f3rtex cerebral s\u00e3o respons\u00e1veis pelo processamento de est\u00edmulos sexuais e das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4629,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-2978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-novidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}