{"id":31713,"date":"2026-08-05T17:41:32","date_gmt":"2026-08-05T20:41:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ptbr.idor.org\/?p=31713"},"modified":"2026-08-05T18:32:55","modified_gmt":"2026-08-05T21:32:55","slug":"a-miscigenacao-brasileira-diminui-a-eficacia-de-testes-para-risco-de-cancer-desenvolvidos-para-populacoes-europeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/a-miscigenacao-brasileira-diminui-a-eficacia-de-testes-para-risco-de-cancer-desenvolvidos-para-populacoes-europeias\/","title":{"rendered":"A miscigena\u00e7\u00e3o brasileira diminui a efic\u00e1cia de testes para risco de c\u00e2ncer desenvolvidos para popula\u00e7\u00f5es europeias?"},"content":{"rendered":"<p><em><span class=\"NormalTextRun SCXW191401524 BCX0\">Estudo valida escore de risco para c\u00e2ncer de mama em popula\u00e7\u00e3o brasileira e refor\u00e7a caminhos para a medicina de precis\u00e3o<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW191401524 BCX0\">\u00a0em pa\u00edses subdesenvolvidos<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40361916\/\"><span data-contrast=\"none\">Publicado na revista\u00a0<\/span><i><span data-contrast=\"none\">Diagnostics<\/span><\/i><\/a><span data-contrast=\"auto\">, o estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o do Dr. <a href=\"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/onco\/oncologiador\/encontre-um-especialista\/perfil\/rodrigo-santa-cruz-guindalini\">Rodrigo Guindalini<\/a>, pesquisador do IDOR e oncogeneticista da Oncologia D\u2019Or, e investigou se escores de risco polig\u00eanico criados a partir de popula\u00e7\u00f5es europeias conseguem prever adequadamente o risco de c\u00e2ncer de mama em mulheres brasileiras, marcadas por intensa miscigena\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Risco polig\u00eanico: quando muitos genes pequenos pesam mais que um s\u00f3<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O c\u00e2ncer de mama \u00e9\u00a0o\u00a0mais frequente entre mulheres no mundo e no Brasil, e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/www.3mulheres.com.br\/home-2\"><span data-contrast=\"none\">estima-se que uma em cada oito mulheres desenvolver\u00e1 um c\u00e2ncer de mama ao longo da vida<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\">.\u00a0Parte do risco est\u00e1 relacionada ao estilo de vida e ao ambiente, enquanto\u00a0outra parte\u00a0possui fatores\u00a0gen\u00e9ticos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Embora algumas muta\u00e7\u00f5es raras em genes como BRCA1 e BRCA2 aumentem muito\u00a0as chances\u00a0da doen\u00e7a,\u00a0elas s\u00e3o\u00a0uma parcela relativamente pequena dos casos.\u00a0A maior parte da predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ao c\u00e2ncer de mama decorre do chamado risco polig\u00eanico. Isso significa que o risco n\u00e3o est\u00e1 concentrado em um \u00fanico gene, mas no efeito combinado de centenas ou milhares de variantes comuns no genoma. Cada variante isoladamente tem impacto pequeno, mas, somadas, podem alterar de forma relevante a probabilidade de desenvolver a doen\u00e7a.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O escore de risco polig\u00eanico, ou PRS, \u00e9 uma forma de transformar essa soma de pequenas varia\u00e7\u00f5es em um n\u00famero. Esse n\u00famero indica se a pessoa est\u00e1 abaixo, na m\u00e9dia ou acima do risco populacional. O desafio \u00e9 que a maioria desses modelos foi criada com base em estudos realizados principalmente em popula\u00e7\u00f5es europeias\u00a0e, em um pa\u00eds miscigenado como o Brasil, com\u00a0ancestralidade europeia, africana, ind\u00edgena e asi\u00e1tica, surge a d\u00favida: esses escores\u00a0gen\u00e9ticos\u00a0funcionam da mesma forma?<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Mais de 15 mil brasileiros analisados<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para responder a essa pergunta, os pesquisadores avaliaram dados gen\u00e9ticos de 15.490 brasileiros. A amostra inclu\u00eda\u00a06.362\u00a0mulheres com hist\u00f3rico de c\u00e2ncer de mama e\u00a0o resto eram\u00a0adultos sem diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, que serviram de grupo controle.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O material gen\u00e9tico foi analisado por meio do sequenciamento de\u00a0exoma, t\u00e9cnica que examina as regi\u00f5es do DNA respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas. Como nem todas as variantes de interesse est\u00e3o diretamente presentes nesse tipo de sequenciamento, os cientistas utilizaram uma estrat\u00e9gia estat\u00edstica chamada imputa\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, trata-se de uma estimativa baseada em grandes bancos de dados internacionais, como o projeto 1000 Genomas, que permite prever variantes n\u00e3o lidas diretamente no exame.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Com esses dados, foram testados quatro modelos diferentes de escore de risco polig\u00eanico:\u00a0Broad, PRS313, PRS3820 e UKBB.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os pesquisadores tamb\u00e9m estimaram a ancestralidade gen\u00e9tica de cada participante para avaliar se o desempenho dos escores variava entre indiv\u00edduos com maior contribui\u00e7\u00e3o europeia, n\u00e3o europeia ou do Leste Asi\u00e1tico.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Miscigena\u00e7\u00e3o brasileira pode reduzir efic\u00e1cia de testes gen\u00e9ticos\u00a0originalmente\u00a0criados\u00a0para\u00a0popula\u00e7\u00f5es europeias?<\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Antes de analisar o impacto dos escores polig\u00eanicos, os pesquisadores retiraram da an\u00e1lise mulheres que j\u00e1 apresentavam muta\u00e7\u00f5es raras de alto impacto,\u00a0como as j\u00e1 mencionadas nos genes\u00a0BRCA1 e BRCA2,\u00a0que\u00a0isoladamente j\u00e1 elevam muito o risco de c\u00e2ncer. O objetivo era avaliar especificamente o efeito acumulado das variantes comuns.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os resultados confirmaram que a miscigena\u00e7\u00e3o de fato interfere\u00a0nos modelos testados, revelando\u00a0um efeito\u00a0menos pronunciado na popula\u00e7\u00e3o brasileira do que nos estudos originais europeus. Isso acontece porque as frequ\u00eancias gen\u00e9ticas e os padr\u00f5es de heran\u00e7a em uma popula\u00e7\u00e3o misturada s\u00e3o diferentes dos europeus, e os autores descartaram os modelos\u00a0Broad\u00a0e UKBB\u00a0como adequados para avaliar o risco populacional no Brasil.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A boa not\u00edcia, contudo, \u00e9\u00a0que os\u00a0outros dois\u00a0testes, em especial\u00a0o\u00a0PRS3820,\u00a0ainda funcionam\u00a0muito\u00a0bem para identificar o risco de c\u00e2ncer de mama em mulheres\u00a0brasileiras, independentemente da propor\u00e7\u00e3o de sua ancestralidade,\u00a0seja ela mais europeia, africana ou asi\u00e1tica.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A valida\u00e7\u00e3o\u00a0desse escore\u00a0em\u00a0solo\u00a0brasileiro\u00a0\u00e9 particularmente importante, pois comprova\u00a0que\u00a0a capacidade\u00a0do teste\u00a0de identificar o risco\u00a0em europeias funciona com efic\u00e1cia muito similar\u00a0em brasileiras com diferentes\u00a0ancestralidades.\u00a0Isso significa, por exemplo, que estar entre os\u00a010% de maior risco pelo teste PRS3820, sendo brasileira ou europeia,\u00a0resulta em chances relevantes de desenvolver o\u00a0c\u00e2ncer\u00a0de mama, que n\u00e3o devem ser ignoradas na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Outro ponto positivo \u00e9 que\u00a0estudo mostrou que utilizar dados de\u00a0exoma\u00a0combinados com imputa\u00e7\u00e3o pode ser uma alternativa mais acess\u00edvel do que o sequenciamento completo do genoma para calcular o escore, o que pode facilitar sua aplica\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Um passo para integrar gen\u00e9tica rara e risco acumulado<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os resultados refor\u00e7am que tanto muta\u00e7\u00f5es raras de grande impacto quanto o risco polig\u00eanico contribuem para o panorama do c\u00e2ncer heredit\u00e1rio no Brasil.\u00a0Utilizar m\u00e9todos de identifica\u00e7\u00e3o que integrem\u00a0essas duas dimens\u00f5es pode permitir uma estratifica\u00e7\u00e3o mais refinada do risco.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Por\u00e9m, para que esses escores sejam incorporados \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica, ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios estudos prospectivos que avaliem como utiliz\u00e1-los na triagem, por exemplo, para definir in\u00edcio mais precoce de rastreamento ou intervalos diferenciados de mamografia.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Ainda assim, ao demonstrar que modelos como PRS3820 mant\u00eam desempenho relevante em uma popula\u00e7\u00e3o altamente miscigenada, o estudo representa um avan\u00e7o concreto\u00a0para\u00a0medicina de precis\u00e3o no Brasil, permitindo que pacientes sejam identificadas e tratadas muito mais cedo, aumentando as chances de desfechos positivos para a doen\u00e7a.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span data-contrast=\"auto\">Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Sobre o IDOR<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Fundado em 2010, o Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o brasileira sem fins lucrativos dedicada \u00e0 pesquisa, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. Com atua\u00e7\u00e3o nacional e internacional, o Instituto desenvolve estudos de excel\u00eancia em diversas \u00e1reas do conhecimento biom\u00e9dico, formando profissionais e contribuindo para avan\u00e7os cient\u00edficos que impactam a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Sua principal mantenedora \u00e9 a Rede D&#8217;Or, maior rede integrada de sa\u00fade do Brasil. Mais informa\u00e7\u00f5es: www.idor.org.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo valida escore de risco para c\u00e2ncer de mama em popula\u00e7\u00e3o brasileira e refor\u00e7a caminhos para a medicina de precis\u00e3o em pa\u00edses subdesenvolvidos<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":31714,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[333,335,336,325,327,334,330,329,332,324,328,326,337,331],"class_list":["post-31713","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa","tag-ancestralidade-genetica","tag-brca1","tag-brca2","tag-cancer-de-mama","tag-escore-de-risco-poligenico","tag-estratificacao-de-risco","tag-genetica-do-cancer","tag-medicina-de-precisao","tag-miscigenacao-brasileira","tag-pesquisa-idor","tag-prs3820","tag-risco-poligenico","tag-sequenciamento-de-exoma","tag-teste-genetico"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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