{"id":39553,"date":"2026-10-13T08:00:41","date_gmt":"2026-10-13T11:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ptbr.idor.org\/?p=39553"},"modified":"2026-10-01T11:37:22","modified_gmt":"2026-10-01T14:37:22","slug":"uso-de-neuroesferas-3d-no-estudo-de-doencas-raras-reforca-avanco-de-metodos-alternativos-aos-testes-em-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/uso-de-neuroesferas-3d-no-estudo-de-doencas-raras-reforca-avanco-de-metodos-alternativos-aos-testes-em-animais\/","title":{"rendered":"Uso de neuroesferas 3D no estudo de doen\u00e7as raras refor\u00e7a avan\u00e7o de m\u00e9todos alternativos aos testes em animais"},"content":{"rendered":"<p><i><span data-contrast=\"auto\">Pesquisa brasileira mostra que c\u00e9lulas-tronco de pacientes com s\u00edndrome rara podem reproduzir a gravidade da doen\u00e7a de forma personalizada, sem m\u00e9todos invasivos nem modelos animais<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:2,&quot;335551620&quot;:2}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Um estudo publicado no <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jnc.70452\"><i><span data-contrast=\"auto\">Journal of Neurochemistry<\/span><\/i><\/a><span data-contrast=\"auto\">, com participa\u00e7\u00e3o do Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizou modelos humanos desenvolvidos em laborat\u00f3rio para investigar a s\u00edndrome de Dravet, uma forma rara e grave de epilepsia gen\u00e9tica que surge na inf\u00e2ncia. A pesquisa acompanha uma tend\u00eancia mundial de redu\u00e7\u00e3o do uso de animais no desenvolvimento de medicamentos, refor\u00e7ada em mar\u00e7o deste ano pelo <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Food and Drug Administration<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> (FDA), ag\u00eancia reguladora de alimentos, medicamentos e sa\u00fade p\u00fablica dos Estados Unidos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Novas abordagens metodol\u00f3gicas est\u00e3o transformando a pesquisa biom\u00e9dica<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Em <\/span><a href=\"https:\/\/www.fda.gov\/news-events\/press-announcements\/fda-releases-draft-guidance-alternatives-animal-testing-drug-development\"><span data-contrast=\"none\">mar\u00e7o de 2026, o FDA publicou uma diretriz preliminar para incentivar o uso de m\u00e9todos alternativos aos testes em animais<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\">, consolidando uma transforma\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha ganhando for\u00e7a na pesquisa biom\u00e9dica. A proposta \u00e9 ampliar a ado\u00e7\u00e3o das chamadas Novas Abordagens Metodol\u00f3gicas (NAMs), conjunto de tecnologias que inclui modelos baseados em c\u00e9lulas humanas, organoides tridimensionais e ferramentas computacionais capazes de prever, com mais precis\u00e3o, como o organismo humano responder\u00e1 a novas terapias.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A iniciativa pretende acelerar o desenvolvimento de medicamentos mais seguros e eficazes, al\u00e9m de enfrentar limita\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e \u00e9ticas dos modelos animais, que nem sempre conseguem reproduzir com fidelidade as respostas humanas. Essa mudan\u00e7a acompanha uma tend\u00eancia regulat\u00f3ria internacional que tamb\u00e9m avan\u00e7a no Brasil. <\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2025\/07\/31\/lei-que-proibe-testes-de-cosmeticos-em-animais-ja-esta-em-vigor\"><span data-contrast=\"none\">Desde 2025, o uso de animais em testes de cosm\u00e9ticos, produtos de higiene pessoal e perfumes est\u00e1 proibido no pa\u00eds<\/span><\/a><span data-contrast=\"auto\">, tornando obrigat\u00f3ria a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos nesses setores.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Benef\u00edcios das NAMs no estudo de doen\u00e7as raras<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Entre as NAMs est\u00e3o os estudos <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">in vitro<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, as simula\u00e7\u00f5es computacionais preditivas e tamb\u00e9m os modelos com organoides 3D, que utilizam c\u00e9lulas humanas para modelar doen\u00e7as em laborat\u00f3rio. Estes \u00faltimos s\u00e3o particularmente estrat\u00e9gicos, pois utilizam a coleta n\u00e3o invasiva de c\u00e9lulas dos pr\u00f3prios pacientes, como por exemplo da urina, para produzir ambientes biol\u00f3gicos complexos que, al\u00e9m de humanos, s\u00e3o personalizados de acordo com o DNA de cada indiv\u00edduo. Isso \u00e9 especialmente importante para entender doen\u00e7as raras, como a s\u00edndrome de Dravet, que apresenta manifesta\u00e7\u00f5es muito diferentes entre pacientes.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A Dra. Mar\u00edlia Zaluar, coordenadora do estudo e pesquisadora do IDOR e da UFRJ, explica que os cientistas utilizaram c\u00e9lulas dos pr\u00f3prios pacientes para gerar neuroesferas, modelos tridimensionais que reproduzem aspectos iniciais do c\u00e9rebro humano: \u201cAo analisar essas estruturas, identificamos diferen\u00e7as moleculares que acompanham a gravidade cl\u00ednica da doen\u00e7a, o que ajuda a entender por que a s\u00edndrome de Dravet se manifesta de formas t\u00e3o distintas e aponta caminhos para abordagens mais personalizadas\u201d, afirma.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Entendendo a s\u00edndrome de Dravet al\u00e9m das crises epil\u00e9pticas<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A s\u00edndrome de Dravet \u00e9 uma forma rara e grave de epilepsia gen\u00e9tica, geralmente causada por muta\u00e7\u00f5es no gene <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">SCN1A<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, essencial para a atividade el\u00e9trica normal dos neur\u00f4nios. Os sintomas costumam come\u00e7ar no primeiro ano de vida, com crises epil\u00e9pticas frequentes e severas, podendo evoluir tamb\u00e9m para d\u00e9ficits cognitivos, dificuldades motoras e preju\u00edzos importantes na autonomia e na qualidade de vida.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para investigar a grande varia\u00e7\u00e3o de gravidade da doen\u00e7a, os pesquisadores brasileiros coletaram c\u00e9lulas da urina de tr\u00eas pacientes com diferentes graus da s\u00edndrome, criando ent\u00e3o estruturas tridimensionais chamadas neuroesferas 3D. Essas NAMs consistem em pequenos agrupamentos de c\u00e9lulas nervosas em desenvolvimento, capazes de reproduzir, em laborat\u00f3rio, etapas iniciais da forma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">As altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas acompanharam a gravidade dos sintomas<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Mesmo com diferen\u00e7as importantes na gravidade da s\u00edndrome de Dravet entre os pacientes, as c\u00e9lulas conseguiram se desenvolver preservando as particularidades moleculares de cada participante. Os cientistas ent\u00e3o mediram a gravidade da s\u00edndrome em cada paciente utilizando uma ferramenta chamada DANCE, que avalia aspectos como cogni\u00e7\u00e3o, comportamento, habilidades motoras, autonomia no dia a dia e impacto na vida familiar.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">As pontua\u00e7\u00f5es foram de 31% para o paciente com comprometimento leve, 55% para o de gravidade moderada e 82% para o paciente com comprometimento muito alto, que tamb\u00e9m apresentou quociente intelectual abaixo de 20.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Depois dessa avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, os pesquisadores analisaram as prote\u00ednas presentes nas neuroesferas de cada paciente para entender como esses processos biol\u00f3gicos estavam ocorrendo. Ao todo, foram identificadas 770 prote\u00ednas com diferen\u00e7as significativas entre os pacientes, sendo que o caso mais grave apresentou o maior n\u00famero de altera\u00e7\u00f5es.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">As diferen\u00e7as entre as prote\u00ednas indicaram que, no paciente com sintomas mais leves, as c\u00e9lulas apresentavam maior atividade em processos de comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios e na forma\u00e7\u00e3o das conex\u00f5es cerebrais. J\u00e1 no paciente com quadro mais grave, as c\u00e9lulas mostraram sinais de menor capacidade de produzir energia e maior ativa\u00e7\u00e3o de mecanismos relacionados ao estresse celular. Ou seja, quanto mais grave era o quadro cl\u00ednico, mais alterado estava o funcionamento celular observado nas neuroesferas.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cUma poss\u00edvel evolu\u00e7\u00e3o desse tipo de plataforma que estamos criando ser\u00e1 a triagem de novos medicamentos. Se conseguirmos reproduzir mais dos aspectos moleculares associados a diferentes graus de gravidade da s\u00edndrome de Dravet nos esferoides cerebrais de cada paciente, conseguiremos usar esses modelos para testar a resposta a candidatos terap\u00eauticos, reduzindo o uso de animais e melhor fundamentando estudos cl\u00ednicos\u201d, acrescenta o Dr. Stevens Rehen, pesquisador do IDOR e da UFRJ que coordenou o desenvolvimento dos modelos celulares no <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Rehen Lab<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, laborat\u00f3rio localizado no IDOR.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b><span data-contrast=\"auto\">Resultados exemplificam o potencial das NAMs na investiga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as humanas<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Segundo os autores, o estudo mostra que neuroesferas derivadas de c\u00e9lulas dos pr\u00f3prios pacientes conseguem preservar caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas individuais da s\u00edndrome de Dravet. Essa capacidade representa uma vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos estudos realizados em animais e pode ser muito valiosa para aprimorar a classifica\u00e7\u00e3o dos pacientes e testar abordagens terap\u00eauticas mais personalizadas.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Al\u00e9m dos resultados sobre a s\u00edndrome de Dravet, o estudo demonstra, na pr\u00e1tica, o potencial das Novas Abordagens Metodol\u00f3gicas (NAMs) para a pesquisa biom\u00e9dica. No caso de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas complexas, modelos tridimensionais como esse permitem observar altera\u00e7\u00f5es celulares que dificilmente seriam reproduzidas com a mesma precis\u00e3o em modelos convencionais.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Assim, o estudo n\u00e3o apenas amplia a compreens\u00e3o sobre uma epilepsia rara, mas tamb\u00e9m exemplifica como a ci\u00eancia j\u00e1 est\u00e1 avan\u00e7ando na dire\u00e7\u00e3o defendida por ag\u00eancias reguladoras internacionais. \u00c0 medida que as NAMs ganham espa\u00e7o, pesquisas como esta mostram que m\u00e9todos baseados em c\u00e9lulas humanas podem contribuir para uma ci\u00eancia mais precisa, personalizada e \u00e9tica no desenvolvimento de novas terapias.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa brasileira mostra que c\u00e9lulas-tronco de pacientes com s\u00edndrome rara podem reproduzir a gravidade da doen\u00e7a de forma personalizada, sem m\u00e9todos invasivos nem modelos animais<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":39555,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[428,429,426,427,290,430],"class_list":["post-39553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa","tag-celulas-tronco","tag-doencas-raras","tag-epilepsia","tag-neurociencia","tag-neuroesferas","tag-sindrome-de-dravet"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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