{"id":7790,"date":"2018-09-06T03:00:00","date_gmt":"2018-09-06T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ptbr.idor.org\/cuidado-fragil\/"},"modified":"2018-09-06T03:00:00","modified_gmt":"2018-09-06T06:00:00","slug":"cuidado-fragil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/cuidado-fragil\/","title":{"rendered":"Cuidado: fr\u00e1gil"},"content":{"rendered":"<p><em>Estudo transp\u00f5e o conceito de fragilidade, originado da geriatria, para nortear oatendimento a pacientes em unidades de terapia intensiva.<\/em><\/p>\n<p>O planejamento de cuidados aos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) requer estrat\u00e9gia. Por isso, \u00e9 fundamental que se olhe n\u00e3o apenas para o estado atual dos pacientes, mas tamb\u00e9m se fa\u00e7a uma avalia\u00e7\u00e3o mais completa do seu hist\u00f3rico e funcionalidade \u2013 \u00e9 o que indica estudo rec\u00e9m-publicado de pesquisadores brasileiros e norte-americanos. Os autores usaram uma escala de fragilidade para avaliar riscos nos pacientes internados em UTIs.<\/p>\n<p>O conceito de fragilidade surgiu na geriatria, e buscava, inicialmente, atuar como um indicador de vulnerabilidade das pessoas idosas, em fun\u00e7\u00e3o de como seu organismo tem enfrentado o envelhecimento, autonomia para as atividades do dia-a-dia e doen\u00e7as associadas. Recentemente, alguns estudos come\u00e7aram, de forma t\u00edmida, a estender as classifica\u00e7\u00f5es de fragilidade ao contexto de pacientes de qualquer idade internados em UTIs.<\/p>\n<p>Na maior pesquisa do g\u00eanero j\u00e1 realizada, cientistas do <a href=\"http:\/\/www.idor.org\/blog\/orchestra\" target=\"_blank\" data-rt-link-type=\"external\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto Orchestra<\/a> \u2013 acr\u00f4nimo, em ingl\u00eas, para Caracter\u00edsticas Organizacionais em Cuidados Intensivos \u2013 avaliaram dados referentes \u00e0 interna\u00e7\u00e3o de quase 130 mil pacientes em 93 UTIs brasileiras de hospitais p\u00fablicos ou privados. No estudo, 31% dos pacientes foram considerados n\u00e3o-fr\u00e1geis, 50%, pr\u00e9-fr\u00e1geis e 19%, fr\u00e1geis. A an\u00e1lise de desfechos da interna\u00e7\u00e3o revelou que pacientes mais fr\u00e1geis ficaram mais tempo no hospital e morreram mais do que os dos outros dois grupos.<\/p>\n<p>Outro resultado importante da pesquisa \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que, al\u00e9m de terem pior progn\u00f3stico, os pacientes considerados fr\u00e1geis tamb\u00e9m receberam mais procedimentos de suporte org\u00e2nico, como ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, di\u00e1lise e transfus\u00e3o de sangue, entre outros. \u201cApesar de receberem o tratamento mais intenso, os pacientes fr\u00e1geis morrem com maior frequ\u00eancia\u201d, destaca o m\u00e9dico intensivista Jorge Salluh, pesquisador do IDOR e um dos autores do estudo. \u201cMas o fato de n\u00e3o responderem aos tratamentos n\u00e3o significa que devemos deixar de tratar o paciente fr\u00e1gil. Pelo contr\u00e1rio, entender o risco permite planejar as abordagens de cada paciente para conduzir um tratamento mais individualizado, ajustando as interven\u00e7\u00f5es \u00e0s necessidades e ao potencial de resposta ao tratamento de cada caso, sempre que poss\u00edvel reduzindo mortalidade e tempo de interna\u00e7\u00e3o, entre outras complica\u00e7\u00f5es. Mas tamb\u00e9m tendo mais elementos para o entendimento do progn\u00f3stico que nos permita uma avalia\u00e7\u00e3o de expectativas realistas com pacientes, familiares e equipe de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores do Orchestra, a fragilidade pode ser uma medida para tornar ainda mais precisa a classifica\u00e7\u00e3o de risco dos pacientes graves e orientar a conduta m\u00e9dica. Com a escala de fragilidade em mente, ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar, caso a caso, se \u00e9 melhor realizar procedimentos invasivos \u2013 o que exp\u00f5e o paciente a riscos \u2013 ou pensar em estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, a proposta dos autores traz uma nova perspectiva sobre a avalia\u00e7\u00e3o de risco nos pacientes graves. \u201cEm vez de olharmos apenas a condi\u00e7\u00e3o atual do paciente \u2013 por exemplo, se ele possui um quadro de insufici\u00eancia card\u00edaca, se usa suporte respirat\u00f3rio, se tem doen\u00e7as associadas etc. \u2013, decidimos investigar aspectos que antecedem a interna\u00e7\u00e3o e explorar como eles nos ajudam a entender o desfecho cl\u00ednico\u201d, explica Salluh. O artigo foi <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs00134-018-5342-2\" target=\"_blank\" data-rt-link-type=\"external\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado na edi\u00e7\u00e3o de setembro da revista <em>Intensive Care Medicine<\/em>,<\/a> e foi encabe\u00e7ado pelo m\u00e9dico intensivista e pesquisador associado ao Orchestra Fernando Zampieri.<\/p>\n<p>Marcio Soares, m\u00e9dico intensivista, pesquisador do IDOR e l\u00edder do estudo, ressalta que a compreens\u00e3o de conceitos como a fragilidade e suas implica\u00e7\u00f5es se faz cada vez mais necess\u00e1ria para o planejamento do sistema p\u00fablico de sa\u00fade no novo cen\u00e1rio demogr\u00e1fico do Brasil, cuja popula\u00e7\u00e3o vem envelhecendo. \u201cSob a \u00f3tica do paciente, \u00e9 importante personalizar o tratamento de acordo com suas caracter\u00edsticas clinicas, tendo em m\u00e3os a avalia\u00e7\u00e3o de risco em cada caso. Do ponto de vista de sa\u00fade p\u00fablica, tal tipo de avalia\u00e7\u00e3o permite planejar melhor os recursos utilizados para o tratamento e a reabilita\u00e7\u00e3o dessas pessoas\u201d, finaliza Soares. <\/p>\n<p>?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo transp\u00f5e o conceito de fragilidade, originado da geriatria, para nortear oatendimento a pacientes em unidades de terapia intensiva. O planejamento de cuidados aos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) requer estrat\u00e9gia. 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