{"id":7895,"date":"2018-05-18T03:00:00","date_gmt":"2018-05-18T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ptbr.idor.org\/mortalidade-em-pacientes-oncologicos-graves\/"},"modified":"2018-05-18T03:00:00","modified_gmt":"2018-05-18T06:00:00","slug":"mortalidade-em-pacientes-oncologicos-graves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/instituto\/idor\/mortalidade-em-pacientes-oncologicos-graves\/","title":{"rendered":"Mortalidade em pacientes oncol\u00f3gicos graves"},"content":{"rendered":"<p>Um novo estudo do Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino traz evid\u00eancias<br \/>\ndos fatores que levam pacientes oncol\u00f3gicos \u00e0 morte depois de passarem por interna\u00e7\u00e3o<br \/>\nem unidades de terapia intensiva (UTIs). Os achados resultaram na cria\u00e7\u00e3o do <em>Oncoscore<\/em>, uma ferramenta que ajuda a<br \/>\nprever o risco de morte \u2013 e que pode ajudar os m\u00e9dicos a tomarem provid\u00eancias<br \/>\npara evit\u00e1-la.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a medicina tem observado um aumento da sobreviv\u00eancia<br \/>\nde pacientes com c\u00e2ncer, o que aumentou tamb\u00e9m o n\u00famero de hospitaliza\u00e7\u00f5es e<br \/>\ninterna\u00e7\u00f5es em UTIs. Mas, apesar de recentes avan\u00e7os cient\u00edficos na \u00e1rea de<br \/>\noncologia e terapia intensiva, pouco se sabe a respeito dos fatores que<br \/>\ncontribuem para a mortalidade de pacientes oncol\u00f3gicos dentro do ambiente<br \/>\nhospitalar e no per\u00edodo imediatamente ap\u00f3s a alta.<\/p>\n<p>Para preencher essa lacuna, o m\u00e9dico intensivista Marcio Soares, do<br \/>\nInstituto D\u2019Or, avaliou, em parceria com pesquisadores franceses, dados da<br \/>\ninterna\u00e7\u00e3o de mais de mil pacientes com c\u00e2ncer em dois hospitais, um brasileiro<br \/>\ne outro franc\u00eas. Os resultados foram publicados na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o da revista <em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1186\/s13613-018-0386-6\">Annals<br \/>\nof Intensive Care<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Foram avaliadas caracter\u00edsticas como gravidade da doen\u00e7a, tipo de c\u00e2ncer<br \/>\ne necessidade de equipamentos de suporte. A maior parte dos pacientes inclu\u00eddos<br \/>\nno estudo sofriam de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o (19.2%), colorretal (16.9%), de mama (12.5%)<br \/>\ne de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o (11.9%). As complica\u00e7\u00f5es do quadro de sa\u00fade que os<br \/>\nlevaram \u00e0 UTI foram sepse (ou infec\u00e7\u00e3o generalizada, 38.5%) insufici\u00eancia<br \/>\nrespirat\u00f3ria aguda (26.1%) e coma (7.6%).<\/p>\n<p>Do total de pacientes inclu\u00eddos no estudo, 41.3% morreram na UTI. Dos<br \/>\npacientes que receberam alta, 33% foram a \u00f3bito ainda no hospital. Entre os que<br \/>\nreceberam alta, a taxa de mortalidade quatro meses ap\u00f3s a sa\u00edda da UTI foi de<br \/>\n65.8%. Os n\u00fameros, embora altos, devem ser interpretados com cuidado. \u201cNos anos<br \/>\n1980 e 90, pacientes com c\u00e2ncer internados em UTIs tinham um progn\u00f3stico<br \/>\nbastante ruim, com a mortalidade acima de 80%\u201d, conta Soares. \u201cHoje, o cen\u00e1rio<br \/>\n\u00e9 outro: a evolu\u00e7\u00e3o da oncologia e da medicina em geral permitiu uma melhora nos<br \/>\n\u00edndices de mortalidade. Levando em conta a grave condi\u00e7\u00e3o em que esses<br \/>\npacientes se encontram, as taxas que encontramos no estudo s\u00e3o consideradas<br \/>\nboas\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica m\u00e9dica<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda etapa do estudo, os cientistas buscaram identificar os<br \/>\nfatores que mais contribu\u00edram para o \u00f3bito dos pacientes. A mortalidade \u2013<br \/>\ndentro do hospital ou quatro meses ap\u00f3s a alta \u2013 foi observada principalmente naqueles<br \/>\nque, na UTI, apresentavam c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, extens\u00e3o sist\u00eamica da doen\u00e7a<br \/>\n(met\u00e1stase) e necessidade de suporte org\u00e2nico, como terapia de substitui\u00e7\u00e3o<br \/>\nrenal ou hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p>Tendo em m\u00e3os os dados m\u00e9dicos de cada paciente, os pesquisadores<br \/>\nelaboraram o <em>Oncoscore<\/em>, uma medida<br \/>\nobjetiva de predi\u00e7\u00e3o de desfecho, ou seja, capaz de antever qual a prov\u00e1vel<br \/>\nevolu\u00e7\u00e3o do paciente ap\u00f3s a terapia intensiva. A medida varia entre 1 e 11, em<br \/>\nque valores mais altos se referem a quadros mais graves.<\/p>\n<p>Para cada paciente, s\u00e3o pontuados a presen\u00e7a de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o (2<br \/>\npontos) ou outros tipos de c\u00e2ncer (1 ponto), a presen\u00e7a de met\u00e1stase (2<br \/>\npontos), a necessidade de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica invasiva (3 pontos), o uso de<br \/>\nf\u00e1rmacos vasoativos ou ionotr\u00f3picos para melhorar a fun\u00e7\u00e3o cardiovascular (2<br \/>\npontos) e a terapia de substitui\u00e7\u00e3o renal (2 pontos).<\/p>\n<p>Com esse sistema, foi poss\u00edvel predizer a morte dos pacientes com 74% de<br \/>\nacur\u00e1cia. O <em>Oncoscore<\/em> tamb\u00e9m<br \/>\npossibilitou atribuir grada\u00e7\u00f5es de gravidade: para pacientes com resultados<br \/>\nmenores do que quatro, a mortalidade at\u00e9 quatro meses ap\u00f3s a alta foi de 40%;<br \/>\ncom resultados entre quatro e sete, 70%; e, com resultados maiores do que sete,<br \/>\n87%.<\/p>\n<p>A proposta de estratificar o risco de pacientes graves tem como objetivo<br \/>\nfinal guiar a conduta m\u00e9dica. Nesse contexto, a defini\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros que auxiliem<br \/>\nna identifica\u00e7\u00e3o de quais pacientes apresentam maior e melhor sobrevida ap\u00f3s a<br \/>\nterapia intensiva \u00e9 extremamente importante e deve ser focada em estudos<br \/>\nfuturos. \u201cEssas medidas s\u00e3o fundamentais para a elabora\u00e7\u00e3o de melhores cuidados<br \/>\npara cada paciente, o que tamb\u00e9m impacta o planejamento do sistema de sa\u00fade que<br \/>\nos atende\u201d, conclui Soares.<\/p>\n<p>?<\/p>\n<h6>(cr\u00e9ditos da imagem: mrsiraphol \/ Freepik)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo do Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino traz evid\u00eancias dos fatores que levam pacientes oncol\u00f3gicos \u00e0 morte depois de passarem por interna\u00e7\u00e3o em unidades de terapia intensiva (UTIs). 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