Notícias

Cânceres Abdominais: neoplasias nos órgãos do abdômen estão aumentando no país e no mundo

Dados mostram que o câncer dos órgãos abdominais, como o colorretal, de pâncreas e de estômago, entre outros, somam mais de 70 mil mortes por ano no Brasil.
Por: Rede D'Or
A imagem mostra uma gravura do corpo humano, com transparência, onde se vê o contorno da pele, a estrutura do esqueleto, e destaca a região abdominal com um círculo laranja.
Publicado em

Segundo levantamento realizado a partir de dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, todos os anos, mais de 70 mil brasileiros morrem por causa de algum tipo de câncer abdominal, como colorretal, pâncreas, estômago, fígado, esôfago e peritônio. Em 2025, esses tumores somaram 74.001 óbitos.

  • Estimativa do Instituto Nacional de Câncer indica que de 2026 até 2028 serão registrados, por ano, cerca de 60 mil novos casos de quatro tipos de cânceres abdominais: estômago, pâncreas, esôfago e fígado.
  • O mais letal é o câncer colorretal, com mais de 23 mil óbitos em 2025, seguido pelo câncer de pâncreas e de estômago (mais de 14 mil óbitos)
  • Fatores de risco incluem alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, infecções crônicas e envelhecimento populacional

O diagnóstico precoce e o tratamento com especialistas e equipes multidisciplinares são determinantes para aumentar as chances de cura e de qualidade de vida.

Marque sua consulta com especialista

Câncer colorretal: silencioso e primeiro lugar em mortalidade

O câncer colorretal é um tumor maligno que atinge as porções finais do intestino — o cólon e o reto — e figura entre os tipos de câncer mais frequentes no mundo, sendo o terceiro mais comum entre os homens no Brasil. A doença afeta homens e mulheres de forma semelhante, com incidência um pouco maior na população masculina, e atinge principalmente adultos a partir dos 50 anos.

Na grande maioria dos casos, o tumor se origina a partir de pólipos intestinais que, ao longo do tempo, sofrem alterações celulares progressivas até se tornarem malignos — o que torna a colonoscopia periódica uma das ferramentas mais importantes de prevenção, já que permite identificar e remover esses pólipos antes que se tornem cancerígenos.

A doença pode se manifestar de forma silenciosa nos estágios iniciais, sem sintomas perceptíveis. Quando os sinais aparecem, incluem alterações no funcionamento intestinal, sangue nas fezes, cólicas e dor abdominal, perda de peso sem causa aparente, cansaço e anemia. Como estes sintomas são parecidos com os de condições menos graves, como hemorroidas e verminoses, o diagnóstico correto depende de uma avaliação médica criteriosa e da realização de exames específicos. Os principais fatores de risco envolvem histórico familiar de câncer colorretal, presença de pólipos ou doenças inflamatórias intestinais, além de hábitos como sedentarismo, tabagismo e obesidade.

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e a localização do tumor, podendo envolver cirurgia, desde a retirada de pólipos até procedimentos mais extensos como a colectomia ou a proctocolectomia, radioterapia e quimioterapia, utilizadas isoladamente ou em combinação. O acompanhamento é realizado por uma equipe multidisciplinar que pode incluir oncologista, proctologista, gastroenterologista e cirurgião. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de cura, o que reforça a importância do rastreamento regular, especialmente para pessoas acima dos 50 anos ou que pertencem a grupos de risco.

Câncer de pâncreas: a luta contra o diagnóstico tardio

O câncer de pâncreas é a proliferação maligna de células no pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina. O tipo mais comum é o adenocarcinoma ductal pancreático, que representa a grande maioria dos casos. É considerado um dos cânceres mais agressivos e de pior prognóstico, principalmente pelo diagnóstico tardio — quando já está em estágio avançado na maioria das vezes.

O tabagismo é o principal fator de risco modificável, sendo responsável por cerca de 25% dos casos. Outros fatores incluem diabetes mellitus de longa data, obesidade, pancreatite crônica, histórico familiar de câncer de pâncreas e mutações genéticas hereditárias. A exposição ocupacional a certos produtos químicos, como pesticidas e compostos de níquel, também está associada ao aumento do risco.

A ausência de sintomas nos estágios iniciais é uma das características mais desafiadoras desta doença. Quando os sintomas aparecem, podem incluir icterícia (amarelamento da pele e olhos), dor abdominal irradiada para as costas, perda de peso significativa, perda de apetite, náuseas, fezes claras e urina escura.

O diagnóstico e o tratamento são conduzidos pelo oncologista clínico e pelo cirurgião do aparelho digestivo. O diagnóstico envolve tomografia computadorizada de abdômen com contraste, ressonância magnética e ecoendoscopia, que pode ser combinada com biópsia por agulha fina para confirmação histológica. Exames laboratoriais como o marcador tumoral CA 19-9 e dosagem de bilirrubinas complementam a investigação. O tratamento de escolha, quando possível, é a cirurgia (cirurgia de Whipple ou pancreatectomia). A quimioterapia com protocolos como folfirinox ou gemcitabina é usada nas formas localmente avançadas ou metastáticas.

Marque sua consulta com especialista

Câncer de estômago: comum no mundo todo e numeroso no Brasil

O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, se manifesta a partir do crescimento descontrolado de células malignas na parede do estômago. Trata-se de uma das neoplasias digestivas mais comuns no mundo, e o Brasil figura entre os países com maior incidência. A doença costuma se desenvolver de forma lenta e silenciosa, muitas vezes a partir de lesões pré-malignas como a gastrite crônica atrófica e a metaplasia intestinal.

A principal causa associada ao câncer gástrico é a infecção crônica pela bactéria Helicobacter pylori, presente no estômago de grande parte da população. Outros fatores de risco incluem dieta rica em alimentos defumados, salgados e conservados em sal, tabagismo, consumo excessivo de álcool, histórico familiar da doença e algumas condições genéticas hereditárias. Homens acima de 50 anos têm maior predisposição.

Nas fases iniciais, o câncer de estômago raramente provoca sintomas. Com a evolução da doença, podem surgir desconforto ou dor abdominal, sensação de estômago cheio mesmo após refeições leves, náuseas, vômitos, perda de apetite, emagrecimento sem causa aparente e, em casos mais avançados, sangramento digestivo com fezes escuras.

O especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento é o gastroenterologista ou o oncologista, com suporte do cirurgião do aparelho digestivo. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva com biópsia, exame que permite visualizar diretamente a mucosa gástrica e coletar amostras para análise. Exames de imagem como tomografia computadorizada e ecoendoscopia completam a avaliação, permitindo identificar a extensão da doença. Exames laboratoriais, incluindo hemograma e marcadores tumorais como o CEA e o CA 72-4, também auxiliam no estadiamento. O tratamento envolve cirurgia (gastrectomia parcial ou total), quimioterapia, radioterapia e, em casos selecionados, imunoterapia e terapia-alvo.

Diagnóstico precoce é a melhor prevenção: quais os exames de rastreio para órgãos do abdômen?

De modo geral, a ultrassonografia abdominal se destaca como o exame de maior custo-benefício para uma triagem inicial do abdômen como um todo, pois é acessível, sem radiação, e eficiente para avaliar simultaneamente fígado, rins, pâncreas, vesícula e baço. Para avaliações mais detalhadas, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética oferecem imagens mais precisas.

Os exames de rastreio para cânceres abdominais variam conforme o órgão. Aqui está uma visão geral dos principais:

Intestino grosso (cólon e reto) – O rastreio é um dos mais bem estabelecidos na medicina. A colonoscopia é o exame padrão-ouro, recomendado a partir dos 45–50 anos para a população geral, com repetição a cada 10 anos, se normal. Para quem tem histórico familiar ou pólipos, o intervalo é menor. Alternativas incluem o teste de sangue oculto nas fezes (anual) e a colonoscopia virtual (tomografia do cólon).

Fígado – Em pessoas com fatores de risco (cirrose, hepatite B ou C crônica) recomenda-se a ultrassonografia abdominal a cada 6 meses, associada à dosagem do marcador tumoral CA 19-9 e AFP (alfafetoproteína) no sangue.

Pâncreas – Não há rastreio universal estabelecido para a população geral, pois o câncer de pâncreas é difícil de detectar precocemente. Em pessoas com alto risco (síndrome genética familiar, histórico familiar forte), pode-se utilizar ressonância magnética (colangiopancreatografia por RM) ou ecoendoscopia.

Estômago – Não existe programa de rastreio universal no Brasil. Em países com alta incidência, como o Japão, a endoscopia digestiva alta é amplamente usada. Por aqui, o exame é indicado para pessoas com sintomas persistentes, infecção por Helicobacter pylori, gastrite atrófica ou histórico familiar.

Rins – Não há rastreio populacional padronizado. A ultrassonografia abdominal acaba detectando tumores renais incidentalmente com frequência, e por isso é um exame valioso mesmo quando solicitado por outras razões.

Bexiga – O rastreio não é recomendado de forma universal. Em grupos de risco — tabagistas e trabalhadores expostos a químicos industriais — a pesquisa de sangue na urina (urinálise) pode ser uma ferramenta de alerta.

Vesícula biliar e vias biliares – Não há rastreio estabelecido. A ultrassonografia abdominal é o principal exame para detectar alterações, geralmente de forma incidental ou diante de sintomas.

Importante: a indicação de qualquer exame de rastreio deve ser individualizada e solicitada pelo médico, levando em conta a idade, o histórico familiar, os fatores de risco e os sintomas de cada paciente.

Marque sua consulta com especialista

Diante do aumento da incidência dos cânceres abdominais no Brasil e no mundo, a informação científica e médica é o início, e o diagnóstico precoce o objetivo. Conhecer os sintomas, os fatores de risco e as possibilidades de diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Ao notar qualquer sinal de alerta, marque logo uma consulta com um especialista — quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz e uma vida de qualidade.