Publicado no European Journal of Social Work, o artigo da Dra. Noelle Coelho Resende, pesquisadora do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR),da Fiocruz e da Nova Medical School (Lisboa), analisa como a segregação psiquiátrica moldou os espaços de cuidado no Brasil e como a Reforma Psiquiátrica Brasileira busca subverter essa lógica.
O manicômio como espaço de exclusão
Historicamente, o hospital psiquiátrico foi construído como lugar de segregação mais do que um espaço de cuidado. Esses locais funcionavam como “depósito” de pessoas consideradas indesejadas, não abrigando apenas aquelas com questões de saúde mental, mas também excluindo aquelas que não se adequavam às normas sociais em cada momento histórico.
Nesse modelo segregacionista, preconceitos sociais eram reforçados e as pessoas eram afastadas de suas comunidades e redes de apoio. A violência era uma prática comum nesses ambientes, apoiada em uma lógica estrutural e institucional de violação de direitos e desumanização.
