Cerca de 1% dos pacientes com Covid-19 podem sofrer AVC


Cientistas seguem em busca da correlação entre problemas neurológicos e a doença causada pelo novo coronavírus



Estudos brasileiros e internacionais há meses apontam que o novo coronavírus (Sars-Cov-2), para além dos riscos pulmonares, também é capaz de causar danos neurológicos. Nos Estados Unidos, um grande número de pacientes jovens com Covid-19 também foi diagnosticado com Acidente Vascular Cerebral (AVC), fato igualmente observado em vários outros países.

Um recente estudo se baseou em dados do sistema de saúde de Nova Iorque – cidade que é um dos epicentros da pandemia –  para analisar pacientes hospitalizados com diagnóstico de Covid-19 que também sofreram AVC, entre meados de março e de abril. Das mais de 3,5 mil pessoas avaliadas com a doença, a pesquisa descobriu que cerca de 1% apresentou casos comprovados de AVC isquêmico, em sua maioria pacientes do sexo masculino e com mais de 60 anos de idade.

O AVC, popularmente conhecido como derrame, ocorre devido à falta de circulação sanguínea em alguma área do cérebro. Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, que acontece quando um vaso que leva sangue ao cérebro se rompe, e o isquêmico, que é provocado quando um vaso importante é obstruído, pela formação de um trombo em seu interior, geralmente sobre uma artéria comprometida pela aterosclerose, ou pela migração de um coágulo sanguíneo formado no interior do coração. Comparado ao hemorrágico, o AVC isquêmico é mais frequente e oferece maiores opções de tratamento, daí a importância de diagnosticar precocemente. Nos casos relacionados à Covid-19, a pesquisa também mostrou que mais da metade dos pacientes apresentaram AVC isquêmico criptogênico, isto é, sem causa reconhecida, apesar de uma  detalhada investigação dos especialistas.

Um outro estudo, realizado por cientistas do Instituto D’Or, da UFRJ e Queen’s University, alerta que para além dos danos simultâneos à infecção, a Covid-19 pode deixar sequelas neurológicas de longo prazo, podendo inclusive aumentar a suscetibilidade ao desenvolvimento da doença de Alzheimer ou de outros distúrbios neurodegenerativos, em função de uma agressão direta à célula nervosa. 

Enquanto não se sabe a exata relação entre a doença e os casos concomitantes de danos cerebrais, é necessário que profissionais da saúde estejam atentos a potenciais agravantes neurológicos em pacientes com Covid-19, além de alertarem esses indivíduos sobre a importância de um acompanhamento médico de longo prazo, mesmo após a recuperação da doença.

Escrito por Maria Eduarda Ledo

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