Coronavírus pode provocar diabetes

Evidências mostram que Sars-Cov-2 pode danificar células produtoras de insulina.

A Covid-19 pode causar diferentes danos à saúde que estão se evidenciando à medida que pesquisas sobre o tema são publicadas. Um exemplo disso é a perda de olfato e paladar, que no início da pandemia não era enquadrada como um sintoma da doença. Por outro lado, fatores de risco há muito conhecidos vêm trazendo novas surpresas para os cientistas, não apenas por agravarem quadros clínicos mas também por serem agravados pela própria doença. Um exemplo disso é o diabetes, que pode contribuir para o desenvolvimento da Covid-19 em sua forma grave e confere aos seus portadores maior risco de vida durante a doença.

Há poucas semanas, o que veio à luz da discussão científica é que o desenvolvimento de diabetes, com desenvolvimento de hiperosmolaridade – emergência médica causada por diabetes mellitus mal controlado -, cetoacidose – falta de insulina em seu organismo – e necessidade de altas doses de insulina pode ocorrer após a contaminação por Sars-Cov-2. Foi o que a Revista Nature abordou recentemente em nota científica. Smriti Mallapaty, autor do texto e jornalista científico, conta que um homem de Kiel, Alemanha, foi contaminado pelo vírus e dias depois começou a se sentir exausto e com muita sede; após ida ao hospital, ele foi diagnosticado com diabetes tipo 1 e seu médico alertou para a possibilidade disso se dever à contaminação pelo novo coronavírus.

O médico Paul Zimmet, que estuda doenças metabólicas na Universidade de Monash em Melbourne, Austrália, liga os pontos do caso de Kiel com o de outras pessoas, que desenvolveram espontaneamente diabetes após infecção por Sars-CoV-2; também com outros dados que mostram que pessoas com Covid-19 chegaram ao hospital com níveis extremamente altos de açúcar no sangue e outros sintomas. Existem mais evidências também, por exemplo, de que outros vírus têm sido associados a doenças autoimunes como o diabetes. Há também evidências que indicam que o novo coronavírus pode danificar células que fazem o controle de açúcar no sangue, o que possivelmente desencadeia o diabetes.

Há também opiniões mais cautelosas, como a dos pesquisadores Naveed Sattar, que estuda doenças metabólicas na Universidade de Glasgow, e Abd Tahrani, clínico-cientista na Universidade de Birmingham, ambas no Reino Unido; para eles é necessário que estudos de coorte epidemiológicos sejam executados. Coorte é um estudo observacional no qual os indivíduos são encaixados de acordo com um status em comum, no caso sugerido pelos especialistas, seria o de exposição à determinada doença. Esses pacientes deveriam então ser acompanhados para avaliar a incidência da doença em determinado período de tempo. Os pesquisadores afirmam que estudos experimentais são também necessários.

O importante agora é que a coleta de dados seja feita para melhores análises, e isso está sendo feito pelo banco global CoviDiab; o site registra informações de pessoas sem histórico de diabetes ou problemas de controle de açúcar no sangue. Com isso, o grupo de pesquisa espera usar os relatos para entender o processo do diabetes em infectados por Sars-Cov-2, buscando determinar se essa condição é permanente ou temporária, e também se o vírus pode desencadear diabetes tipo 2 em pessoas pré-diabéticas. Por fim, apesar de algumas evidências já mostradas, apenas estudos de médio e longo prazo podem revelar a resposta para esse novo questionamento.

por Luiza Mugnol Ugarte

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