Estudo aplica I.A. para diagnosticar a Covid-19 apenas pela tosse

Cientistas brasileiros buscam desenvolver ferramenta que pode identificar até os pacientes assintomáticos através de áudios de celular

 

Pesquisadores da Fiocruz, em parceria com as universidades USP, UEMS e UFMS, estão recrutando voluntários para um estudo inovador, que pode ampliar e facilitar o diagnóstico em massa da Covid-19. O projeto tem intenção de treinar uma inteligência artificial (I.A.) para identificar as frequências específicas emitidas pela tosse de pacientes infectados com o novo coronavírus; e mesmo os pacientes sem sintomas poderiam ser identificados através da ferramenta.

Considerando que cerca de 80% dos portadores de Covid-19 desenvolvem sintomas leves ou ausentes e não procuram ajuda médica, essas pessoas acabam agindo como propagadores ativos da doença. A testagem da população tem se mostrado um grande desafio para muitos países, principalmente os populosos como o Brasil. Inspirando-se em outros estudos que utilizaram a I.A. e sua capacidade sobre-humana de leitura e análise de dados para otimizar sistemas de saúde, o estudo atual busca aprimorar a testagem populacional em larga escala, com o objetivo de mapear os locais mais imunizados ou suscetíveis à infecção, o que permitiria definir o melhor momento de reduzir, suspender ou retomar as recomendações de isolamento social, por exemplo.

Tendo em vista outros estudos que comprovam que as tosses de diferentes síndromes respiratórias possuem características distintas, os pesquisadores acreditam que essas particularidades podem ser extraídas de forma apropriada, processadas e depois traduzidas por meio da I.A. O uso desta ferramenta para o diagnóstico da Covid-19 será feito a partir do som da tosse, utilizando uma técnica chamada Deep Learning. Este processo faz uso do espectrograma do áudio da tosse e de  modelos matemáticos para reconhecer a natureza do problema.

A tosse é o principal mecanismo de disseminação social da Covid-19, além de ser um sintoma manifestado na maioria dos casos. Com o sistema de reconhecimento de tosse, os cientistas acreditam que seria possível desenvolver uma ferramenta com mais de 90% de sensibilidade e especificidade para o diagnóstico à distância da Covid-19. Isto seria uma enorme vantagem, visto que todos os outros diagnósticos da doença precisam ser realizados presencialmente, ficando dependentes da disponibilidade de laboratórios, estoques finitos de materiais e limitando o acesso da população devido ao deslocamento necessário para realizar a testagem. 

Outra expectativa dos investigadores é ajudar a identificar os portadores assintomáticos, visto que a tosse, mesmo que não seja espontânea, também contém as características específicas  da doença. Isto é, o indivíduo pode ser solicitado a tossir de forma intencional, podendo assim descobrir se foi ou não infectado.

O estudo já está aberto para a inscrição de voluntários. Os pesquisadores estão recrutando tanto participantes saudáveis, como sintomáticos e assintomáticos, além de pessoas que estejam com outras condições clínicas que também causam tosse. Os participantes serão recrutados de forma presencial nos municípios de Niterói (RJ) e Campo Grande (MS); remotamente, os interessados também podem se inscrever para o recrutamento através do site do estudo. Em todos os casos, serão dados termos de consentimento aos participantes e realizadas uma entrevista e captações de áudio com a tosse dos participantes, atividade que pode ser feita no próprio celular do voluntário. Confira os critérios de recrutamento antes de se inscrever e aproveite para divulgar ainda mais a ciência brasileira, que está participando como um dos maiores polos de pesquisa contra esta pandemia.

Escrito por Maria Eduarda Ledo

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