Guia sobre como não cair em fake news durante a pandemia

Confira dicas e sugestões do IDOR para ter certeza de quais informações são (ou não) confiáveis.

Desde 2018, o debate sobre as fake news (notícias falsas) tem tomado proporções maiores no Brasil. Por se tratar de um conteúdo não oficial e sem embasamento, as informações falsas preocupam ainda mais durante esta pandemia, já que podem confundir a população em relação aos cuidados que realmente são necessários para a saúde pública nacional. 

Mas, afinal, como podemos ter certeza de que uma notícia é ou não verdadeira? Pensando em responder definitivamente essa pergunta, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) reuniu um guia com dicas e fontes de informações confiáveis que você pode checar sempre que estiver em dúvida.

Em uma pesquisa realizada pelo DataSenado, instituto de pesquisa vinculado à Secretaria de Transparência do Senado Federal, quase 80% dos entrevistados declararam que a plataforma Whatsapp era sua principal fonte de informação. A pesquisa também revelou que outras redes sociais serviam como informativos dos participantes, como Youtube, 49%, Facebook, 44%, e Instagram, 30%. Enquanto isso, apenas 38% buscavam atualizações em sites de notícias. 

Frente a esses dados, precisamos entender que a internet é realmente um centro de informações e que justamente por isso temos que julgar da melhor maneira aquilo em que vamos acreditar e o que vale a pena ser compartilhado e passado adiante.

Primeiro, por que é perigoso se informar pelo Whatsapp?

O Whatsapp não é uma agência de informação, e sim uma plataforma de comunicação que promove troca de mensagens, vídeos, ligações, fotos, etc. Qualquer pessoa que baixar o aplicativo pode escrever uma informação e encaminhar para seus contatos; o problema é que esse conteúdo não vem necessariamente de uma fonte confiável e pode ser inclusive forjado por pessoas com interesse em influenciar a opinião popular em benefício de uma determinada causa, empresa, produto, ou até mesmo por questões políticas.

A situação da circulação de notícias falsas no Whatsapp ficou tão agravada que o próprio aplicativo passou a oferecer uma série de dicas para desconfiar de notícias encaminhadas na plataforma.

As notícias do Whatsapp são sempre falsas?

Não. O Whatsapp é uma plataforma de comunicação e muitos órgãos oficiais têm contas no aplicativo para melhor se comunicarem com a população. O segredo para ter informações de qualidade no aplicativo é justamente acompanhar fontes confiáveis sobre o assunto em que você tem interesse (seguir fontes oficiais de saúde para tirar dúvidas de saúde; de esporte para se informar sobre esporte, etc). Você pode ter amigos e familiares muito antenados e inteligentes, mas isso não significa que eles também não serão vítimas de fake news. Por isso, se uma informação encaminhada não diz no que ela se embasou para dar aquela afirmação, questione; e se houver uma fonte na mensagem, pesquise e confira se a fonte realmente existe e se é confiável.

 

O que é uma fonte confiável? Os jornais, sites e canais de notícia são donos da verdade?
Existem diversos canais de informação oficiais. Isso significa, em tese, que eles contratam profissionais de comunicação e outros especialistas para produzir suas matérias. Esses profissionais foram treinados para apurar notícias, realizar entrevistas e investigar, entre outras coisas.

Um dos princípios da Comunicação e da História é que os escritos humanos nunca podem exprimir total neutralidade, porque, ao escrever, o autor ou veículo vai valorizar as pautas e informações que julga mais relevantes, não dando tanta visibilidade para outras. No entanto, isso não quer dizer que uma matéria bem escrita e embasada perde sua confiança e seu poder informativo por causa desse aspecto, isso apenas ressalta que é importante buscar mais de uma fonte confiável para ver diferentes abordagens sobre um mesmo tema.

É importante também lembrar que algumas vezes os próprios veículos oficiais podem cometer erros em sua pesquisa, e por isso eles são investigados por outros veículos especializados em checagem de fatos. Essas plataformas também checam informações que se disseminaram por Whatsapp, por exemplo, e são uma boa pedida para quem quer confirmar qualquer matéria ou conteúdo.

Como posso saber se as informações que recebo sobre a COVID-19 são confiáveis?

As pessoas não vão deixar de encaminhar nas redes sociais mensagens sobre esse assunto que está tão presente no nosso cotidiano. Então, é essencial alertar a todos da importância de verificar uma informação e apenas compartilhar se tiver certeza de que vem de fonte confiável. E, mesmo que a pessoa afirme a procedência da informação, buscar mais detalhes do conteúdo não é um ato de desconfiança, mas sim de cuidado e cidadania, tendo em vista que muitos podem se prejudicar com uma informação falsa.

Para que você tenha seu acervo de fontes confiáveis na hora de confirmar temas sobre a pandemia, segue abaixo uma lista composta por documentos, veículos e plataformas de órgãos oficiais de saúde e de centros científicos.

Para confirmar notícias sobre a COVID-19:

1 – O Ministério da Saúde criou um canal Whatsapp para tirar dúvidas sobre qualquer tema relacionado ao novo coronavírus. É só enviar uma mensagem na plataforma para o número (61) 99289-4640. Eles atendem de segunda a sexta-feira, das 10h30 às 12h e das 14h às 18h.

2 – O Ministério da Saúde possui também uma página regularmente atualizada para confirmar ou desmentir informações sobre a COVID-19.

3 – Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) possuem uma plataforma que separa o que é fato do que é falso e que também responde dúvidas do público.

4 – O Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança para a Internet no Brasil (CERT.br) oferece uma cartilha completa guiando as melhores maneiras de conferir informações na internet.

Indique aos seus amigos e familiares essas dicas e práticas de verificação de informações. Assim, podemos evitar que matérias falsas prejudiquem ainda mais a saúde pública durante este momento de pandemia. Informe e mantenha-se informado! 


Escrito por Maria Eduarda Ledo

 

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