Imunidade de Rebanho e Vacinação: O que precisamos entender?

O Dr. José Cerbino, pesquisador do IDOR e Fiocruz, esclarece dúvidas e comenta expectativas acerca do fenômeno de imunidade coletiva



No sábado do dia 30/01, o IDOR realizou o primeiro Simpósio Nacional em Vacinas da Rede D’Or São Luiz, com o tema “Vacina Covid-19”. Foram cerca de mil participantes on-line e 10 palestrantes especialistas para discutir as principais dúvidas sobre a imunização no Brasil e no mundo.

Mesmo com o esperado início da vacinação em massa, sabemos que a pandemia – assim como as dúvidas sobre ela – está um pouco distante de acabar. Um dos grandes questionamentos atuais é sobre a imunidade de rebanho, que ocorre quando cerca de 70% de uma população se torna imune a uma doença, reduzindo assim as chances de contágio dos 30% restantes. Durante o evento, o médico Dr. José Cerbino, pesquisador do IDOR, Fiocruz, e coordenador do Simpósio, esclareceu o assunto e alertou sobre o que podemos esperar no caso do novo coronavírus (sars-cov-2).

Comparação do contágio sem imunidade de rebanho (Primeiros 3 quadros, na horizontal) e com imunidade de rebanho (3 quadros inferiores, na horizontal), onde as pessoas em vermelho representam os infectados, as em azul representam pessoas sem o vírus e as em amarelo representam imunizados.

Erroneamente adotada por alguns países como estratégia contra a atual pandemia, a imunidade de rebanho “É um fenômeno, não uma medida de controle. Deve ser vista como consequência e não como um objetivo”, explicou o infectologista. O termo não é novo, é usado desde o início do século XX e protagonizou diversos estudos publicados em periódicos científicos. O problema é que, no caso do sars-cov-2, apostar nessa imunidade coletiva é perigoso, já que pode sobrecarregar os sistemas de saúde, além de ser imprevisível, pois o vírus é muito mutável e as pessoas que estão imunizadas contra uma variante ainda podem transmitir outras cepas virais.

O médico deu como exemplo a situação da capital do Amazonas. Poucos meses atrás, as manchetes que comemoraram o alcance da imunidade de rebanho em Manaus não previam a tragédia que se aproximava com a circulação de uma nova variante do vírus, que era mais contagiosa que a anterior. Isso não significa que adquirir imunidade contra um determinado patógeno nos protege somente contra ele, mas quer dizer que, frente a tipos que sofrem mutações rapidamente, talvez seja necessário uma vacinação mais recorrente, como ocorre no caso da gripe.

Então, isso significa que mesmo com a vacinação podemos não atingir o fenômeno coletivo? “Sim. Mas não precisaremos atingi-lo para dar um fim à pandemia”, informa o Dr. Cerbino, “Com a vacinação, impedimos que a população mais suscetível a desenvolver casos graves seja contagiada e evitamos que os profissionais de saúde, que circulam em ambientes contaminados, contraiam e transmitam o vírus a outras pessoas e familiares. Mas é importante lembrar que, mesmo com o início da vacinação, as medidas de isolamento devem ser mantidas por mais tempo se quisermos voltar ao cotidiano normal”.

Outro ponto importante que o pesquisador destaca é a relevância dos estudos clínicos com vacinas, que acompanham os voluntários por um período longo, monitorando a resposta imunológica e a duração da proteção proporcionada pelas vacinas. Estas informações são fundamentais para entender a evolução da epidemia e estimar os riscos da população a cada momento.

Dr. Cerbino é o coordenador dos estudos com vacinas do IDOR e irá liderar as novas pesquisas com diferentes imunizantes em situações distintas.

Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.
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