Investigação feita por Inteligência dos EUA afirma que Sars-CoV-2 não foi criado como arma biológica

Após 90 dias de apuração, os resultados sobre a origem do novo coronavírus ainda são inconclusivos, mas especialistas já declaram que o vírus não foi desenvolvido propositalmente

Ordenada pelo atual presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, uma investigação iniciada em 26 de maio publicou na semana passada um relatório com suas descobertas sobre a origem do novo coronavírus (vírus Sars-CoV-2). Apesar dos resultados ainda inconclusivos, o relatório reduz as expectativas de que o vírus possa ter sido criado intencionalmente como arma biológica. A imersão contou com agentes da CIA e FBI e também da Organização Mundial da Saúde.

Desde que a Covid-19 surgiu pela primeira vez em dezembro de 2019, na província de Wuhan, na China, as narrativas sobre a origem do novo coronavírus têm sido divergentes. Muitos cientistas acreditam que a contaminação se deu de forma natural, já que não é incomum a vírus de RNA, como o Sars-CoV-2, migrar de uma espécie para outra, o que faria o microorganismo originário de uma infecção via contato entre humanos e animais. Outras pessoas, contudo, consideram suspeito o fato do vírus ter se originado na província em que atua um importante instituto que estuda os coronavírus, o que abre margem para argumentos de que o vírus pode ter sido – intencionalmente ou não – criado por seres humanos.

Para manter um padrão mais imparcial durante a investigação, os agentes do FBI e CIA seguiram protocolos científicos para buscar essa resposta, possuindo em sua equipe indivíduos especializados, com doutorado em biologia molecular e conhecimento vasto e detalhado sobre as publicações científicas mais recentes no assunto.

Ainda assim, e como muitos cientistas já esperavam, 90 dias não foram suficientes para encontrar resultados conclusivos, porque estudar a origem do vírus é algo que exige mais tempo e maior cooperação dos países e instituições envolvidas. Há contudo um único consenso no relatório: o Sars-CoV-2 não foi desenvolvido como arma biológica. Afirmação que reduz a animosidade gerada contra a China, inclusive institucionalmente, pelo ex-secretário de Estado Mike Pompeo, durante a administração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Apesar dos resultados favoráveis a uma origem não intencional, as agências de investigação criticaram a China por não estar cooperando como o desejado pela operação, que informou que Pequim não está compartilhando amplamente as informações.

Por outro lado, pesquisadores também esperam que as agências de inteligência norte-americanas revelem mais sobre seu processo de investigação e sobre outras informações referentes à origem do coronavírus. Em um comunicado à imprensa, a comunidade de inteligência escreveu que pretende divulgar mais detalhes sobre sua investigação em um futuro próximo.

Texto baseado na matéria da Nature News.

Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.

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