No início de dezembro, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) participou do Congresso Anual da American Society of Hematology (ASH), um dos principais eventos internacionais para a discussão de avanços científicos e clínicos em doenças sanguíneas.
Nesta edição, pesquisadores do IDOR participaram de estudos multicêntricos de grande escala, abordando desde determinantes sociais da saúde até novas estratégias terapêuticas para linfomas e leucemias.
A presença do IDOR no ASH reflete os esforços contínuos da instituição com foco em pesquisas colaborativas de alto impacto. Conectados a centros de referência no Brasil e no exterior, esses trabalhos científicos têm como premissa a contribuição efetiva à melhoria do cuidado aos pacientes.
Quando fatores sociais influenciam a sobrevida na leucemia mieloide aguda
Um dos trabalhos apresentados analisou dados de um estudo multicêntrico brasileiro sobre leucemia mieloide aguda, trazendo evidências sobre o papel dos determinantes sociais da saúde. O estudo contou com a participação de Dra. Luiza Lapolla Perruso, Dr. Abel Costa e Dr. Eduardo Rego, pesquisadores do IDOR.
Tendo avaliado mais de 300 pacientes, a pesquisa investigou se a distância entre a residência do paciente e o centro de tratamento influenciaria a sobrevida. Os resultados mostraram que a distância geográfica não se configura como um fator determinante. Por outro lado, dados sugerem que condições sociais e estruturais influenciam tanto o acesso a tratamentos complexos, como o transplante de medula óssea, quanto a sobrevida dos pacientes.
Acesso é um conceito-chave na área da saúde e o estudo reflete e reforça a importância de políticas públicas e estratégias institucionais voltadas à redução das desigualdades no tratamento do câncer.
Novas combinações terapêuticas para linfomas
Outros trabalhos com participação do IDOR trataram de novas abordagens terapêuticas para linfomas – por exemplo, em casos de o câncer reaparecer após um período sem detecção da doença (recidiva). Ou, ainda, na doença refratária, quando o tumor não responde ao tratamento convencional disponível. Nesses casos, as opções de medicamentos costumam ser mais limitadas.
Em um estudo multicêntrico de fase 2, o Dr. Abel Costa integrou a equipe que avaliou uma combinação de medicamentos para o tratamento inicial do linfoma de células do manto. Os resultados preliminares indicaram respostas eficazes, com altas taxas de remissão completa e doença residual mínima indetectável, além de um perfil de segurança considerado manejável.
Vale destacar outros dois estudos dos quais o IDOR colaborou, voltados ao linfoma folicular: tipo de linfoma geralmente de evolução lenta, mas que pode se tornar resistente após múltiplas linhas de tratamento. Um dos trabalhos avaliou o uso de um novo medicamento, em combinação com imunoterapia, em pacientes com recidiva da doença, ou doença refratária. O trabalho apontou taxas relevantes de resposta e remissões duráveis, inclusive em pacientes previamente expostos a tratamentos mais recentes.
Já um estudo de fase 3 analisou uma combinação baseada em anticorpos específicos comparada ao tratamento padrão disponível. Os resultados demonstraram melhora significativa na resposta ao tratamento e na sobrevida livre de progressão da doença, reforçando o potencial dessas terapias como novas opções clínicas em um futuro próximo.
Contribuindo tanto para estudos com foco na realidade brasileira, quanto para ensaios clínicos globais que investigam terapias inovadoras, a presença de pesquisadores do IDOR em múltiplos trabalhos vistos no ASH evidencia o papel da instituição em redes internacionais de pesquisa,
30.12.2025