Como o TBL transforma o ensino em saúde ao unir engajamento, raciocínio clínico e aprendizagem colaborativa
Em um mundo cada vez mais dinâmico, com alunos hiperconectados e expostos a múltiplas fontes de informação, manter a atenção em sala de aula tornou-se um dos grandes desafios da docência. Soma-se a isso a necessidade de diversificar métodos de ensino que deem suporte ao desenvolvimento do raciocínio clínico e da capacidade de aplicar conceitos teóricos em cenários práticos diversos e complexos.
Diante desse cenário, metodologias ativas têm ganhado destaque, entre elas, o Team-Based Learning (TBL). Desenvolvido na década de 1970 por Larry Michaelsen, o TBL surgiu como estratégia para o engajamento e a aprendizagem significativa, estruturando o processo educativo em etapas que combinam estudo prévio, checagem do conhecimento individual e em grupo, além da aplicação prática do conhecimento em casos clínicos.
O TBL se organiza em uma sequência estruturada de etapas, começando pelo estudo prévio, momento em que o aluno deve ter contato com materiais sobre o tema, que podem incluir textos, reportagens ou até podcasts com o objetivo de construir uma base conceitual para a sessão.
No dia do TBL, a atividade tem início pela checagem individual de conteúdo, o iRAT (individual Readiness Assurance Test), em que o aluno responde a um teste de múltipla escolha sem acesso ao gabarito, permitindo avaliar seu preparo individual. Em seguida, ocorre o gRAT (group Readiness Assurance Test), quando os alunos, organizados em grupos com 5 a 8 participantes, respondem ao mesmo teste em conjunto, agora com acesso ao gabarito, discutindo as alternativas e validando o entendimento coletivo.
Após essa etapa, vem a fase mais relevante da metodologia: a discussão de casos. Aqui os estudantes utilizam os conceitos previamente estudados e consolidados para analisar situações clínicas reais ou simuladas, escolhendo, em equipe, a melhor conduta para cada contexto.
As sessões de TBL têm duração média de uma hora e meia a duas horas e podem ser conduzidas com turmas numerosas, chegando a até 100 alunos por vez, mantendo, ainda assim, alto nível de engajamento e participação ativa.
Nas últimas décadas, a disseminação do TBL tem sido crescente, impulsionada por evidências de que gera maior retenção de conteúdo, raciocínio crítico e participação ativa dos estudantes, frequentemente superando abordagens mais tradicionais e menos interativas.
No ensino em saúde, o método reflete grande potencial ao permitir que os alunos pratiquem a tomada de decisão em equipe, enfrentem problemas reais e construam o conhecimento de forma colaborativa. Não por acaso, diversos cursos do IDOR já incorporam essa metodologia em suas práticas, alinhando-se às tendências contemporâneas de educação em saúde.
Entretanto, a implementação do TBL possui desafios. A capacitação dos docentes é fundamental para garantir o uso adequado do método, desde o seu planejamento até a condução das discussões. Além disso, há uma dependência de recursos técnicos e estruturais que viabilizem as diferentes etapas, como sistemas de resposta, materiais bem elaborados e organização do ambiente de aprendizagem.
Mesmo diante dos desafios, o TBL se consolida como uma ferramenta poderosa para transformar o ensino, aproximando-o das demandas reais e preparando profissionais mais críticos, colaborativos e aptos a atuar em cenários complexos.
Espero que você possa aplicar este método junto a seus alunos para que alcancem cada vez mais os objetivos de aprendizagem propostos.
Beatriz Murakami