Estudo internacional reforça eficácia e segurança de terapia adjuvante sem antraciclinas em tumores iniciais de baixo risco
Um estudo internacional publicado em revista científica Clinical Breast Cancer e com participação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) investigou os resultados do regime APT em pacientes com câncer de mama inicial HER2-positivo na prática clínica real. A análise mostrou altas taxas de sobrevida livre de doença e sobrevida global em cinco anos, reforçando a efetividade do tratamento fora do ambiente controlado de ensaios clínicos.
O que é o regime APT e para quem ele é indicado
O regime APT (sigla em inglês para Adjuvant Paclitaxel and Trastuzumab) combina paclitaxel semanal com trastuzumabe como terapia adjuvante, que são aquelas terapias administradas após a cirurgia de retirada do tumor, para reduzir o risco de recidiva.
O APT é indicado para pacientes com estágio inicial de câncer de mama HER2-positivo (ou HER2+), já que é o melhor momento para tratar esse subtipo agressivo da doença, especialmente quando ainda tumores pequenos, entre 5 e 20 mm, e sem comprometimento significativo dos linfonodos, pequenas estruturas de defesa do sistema imunológico.
Umas das grandes vantagens desse protocolo é que ele não inclui antraciclinas, uma classe de quimioterápicos associada a maior toxicidade cardíaca, sendo considerado uma alternativa mais segura e menos agressiva para pacientes com doença de baixo risco.
Usando dados do mundo real para estudar o câncer de mama
A pesquisa analisou dados retrospectivos de 252 pacientes tratadas entre janeiro de 2014 e julho de 2018 em 11 hospitais localizados na Bélgica, Itália e Brasil. Todas tinham câncer de mama HER2-positivo em estágio I, sem histórico prévio da doença.
A idade mediana das participantes foi de 57,9 anos, e 69,8% estavam na pós-menopausa no momento do diagnóstico. A maioria dos tumores apresentava características associadas a melhor prognóstico, como o tipo mais comum de câncer de mama, chamado ductal, presente em 88,1% dos casos, e a presença de receptores de estrogênio em 81,7%, o que indica que o tumor cresce em resposta a hormônios e pode ser também tratado com terapias hormonais específicas.
O tamanho mediano dos tumores foi de 12 mm, e a maior parte das pacientes foi submetida à cirurgia conservadora da mama, um procedimento que remove apenas o tumor e uma pequena margem de tecido ao redor, preservando a maior parte da mama.
Após um seguimento mediano de 5,8 anos, os resultados mostraram desfechos bastante positivos. Ao todo, foram registradas apenas 13 situações clínicas relevantes, como retorno do câncer ou surgimento de novos tumores. Desses, 4 foram recorrências locorregionais, quando o câncer volta na mesma mama ou em áreas próximas, 2 foram metástases à distância, quando a doença se espalha para outros órgãos do corpo, e 7 foram novos cânceres primários em outras partes do organismo, não relacionados ao tumor inicial.
A taxa de sobrevida livre de doença em cinco anos foi de 95,3%, enquanto a sobrevida global atingiu 97,9%. Esses números indicam que praticamente todas as pacientes estavam vivas e sem sinais da doença após o período analisado.
Esses resultados são ainda mais encorajadores quando entendemos que vieram de dados de mundo real, que, diferentemente de ensaios clínicos controlados, refletem a diversidade dos pacientes atendidos na prática médica cotidiana. Isso inclui variações em idade, comorbidades e adesão ao tratamento. Nesse contexto, os resultados reforçaram que o regime APT mantém sua eficácia e segurança mesmo fora das condições ideais de pesquisa.
Os achados confirmam que o regime APT é uma opção eficaz e bem tolerada para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial e baixo risco. As altas taxas de sobrevida em cinco anos sustentam seu uso como padrão de tratamento nesse grupo específico.
Ao demonstrar resultados consistentes em diferentes países e contextos clínicos, o estudo contribui para aumentar a confiança no uso desse protocolo na prática médica, beneficiando um número crescente de pacientes.
Pesquisadores e profissionais IDOR / Rede D’Or envolvidos na publicação:
- Renata Colombo Bonadio — Oncologia D’Or e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), São Paulo
- Laura Testa — Oncologia D’Or e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), São Paulo
- Marina Nishimuni — Oncologia D’Or e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), São Paulo
- José Bines — Oncologia D’Or e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), Rio de Janeiro