IDOR promove estudo com Terapia Celular para casos graves de Covid-19

 

Como parte da iniciativa Ciência IDOR contra a COVID, a unidade do IDOR em Salvador avança  em pesquisa clínica com células mesenquimais 

 

A Ciência IDOR contra a COVID é uma iniciativa do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) que utiliza a pesquisa como contra-ataque à epidemia causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Com 10 linhas de pesquisa e mais de 20 estudos encaminhados, o projeto busca entender desde o comportamento do vírus em laboratório, passando pelo mapeamento geográfico dos infectados até chegar nos possíveis tratamentos para a Covid-19.Em relação ao último tópico, a linha de pesquisa em terapia celular é uma das maiores apostas entre médicos e pesquisadores.

A terapia celular, ou citoterapia, é um tratamento no qual se injeta um determinado material celular no corpo de um paciente. Apesar de requerer alta complexidade para sua execução, o princípio da citoterapia é bem simples: restaurar ou otimizar a função de um órgão ou tecido, munindo o corpo de células capazes de substituir células perdidas por uma doença ou então células com defeitos genéticos. 

Na linha de terapia celular contra a COVID, a ideia é investigar a ação de células mesenquimais – células com alta capacidade imunomoduladora e anti-inflamatória – no tratamento da doença, já que seus casos mais severos são causados pela exacerbação da resposta inflamatória quealguns pacientes apresentam, o que leva ao comprometimento da função respiratória e de outros órgãos, sendo uma das principais responsáveis pela síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), problema recorrente e preocupante em casos de Covid-19 grave.

Além da habilidade para regular o sistema imunológico através da secreção de suas vesículas extracelulares – moléculas com potencial anti-inflamatório –, as células-tronco mesenquimais também são capazes de se diferenciar e produzir diversos tipos celulares para um processo de reparação, como neurônios, células epiteliais, renais, cardíacas, dentre muitas outras. Seu potencial terapêutico já foi testado com resultados positivos em várias doenças inflamatórias, o que estimulou os pesquisadores do IDOR a também testá-las nos quadros graves de COVID-19 com SDRA.

Essas células são obtidas a partir do tecido do cordão umbilical de doadores e depois são produzidas e armazenadas no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, onde encontra-se a unidade do IDOR em Salvador (BA). O coordenador da pesquisa e cientista do IDOR, Dr. Bruno Solano, explica que o objetivo principal ainda é avaliar a eficácia e a segurança do tratamento com as células mesenquimais em pacientes com SDRA causada por Covid-19. Os pesquisadores irão analisar resultados clínicos e de imagem e comparar pacientes que receberam as células mesenquimais em diferentes doses com pacientes que não receberam a terapia celular, para então poderem avaliar se realmente há benefício da citoterapia na recuperação da doença e como os pacientes toleram esta intervenção.

Este estudo se configura em um ensaio clínico piloto aberto e randomizado, com as células mesenquimais administradas por via endovenosa em duas aplicações, com intervalo de 48 horas entre elas, em pacientes com pneumonia associada à falência respiratória aguda pela Covid-19. Ao todo, os pesquisadores esperam recrutar 20 pacientes que serão sorteados e distribuídos entre 2 grupos. O primeiro será composto por 15 pessoas, que serão subdivididas e receberão a terapia com células mesenquimais em diferentes doses (alta, intermediária e baixa), além do tratamento padrão indicado pela equipe de terapia intensiva. Os cinco voluntários restantes ficarão no grupo controle, recebendo apenas o tratamento padrão.

Serão considerados como possíveis voluntários pacientes a partir de 18 anos internados com Covid-19 nas unidades de terapia intensiva dos centros participantes da pesquisa  – Hospital São Rafael, em Salvador, e o Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro – e que apresentam insuficiência respiratória aguda com necessidade de intubação traqueal. As prioridades para recrutamento serão a mortalidade seguida do tempo de internação na UTI ou hospital, além de outros fatores como período de utilização de ventilação mecânica, pressão arterial, nível de oxigênio e a incidência de infecções secundárias. 

“Acreditamos que este tratamento seja capaz de acelerar a recuperação dos pacientes, reduzir a mortalidade e encurtar o tempo de internação. Esperamos também entender melhor o mecanismo de ação das células mesenquimais. Todas estas respostas devem ser alcançadas rapidamente, em linha com a urgência que a pandemia exige”, conclui Dr. Solano. 

Escrito por Maria Eduarda Ledo

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