Impacto e taxa de mortalidade da Covid-19 se manifesta desigualmente na população

Idosos do gênero masculino possuem maior risco de morte durante infecções graves

 

Estudos sobre como o novo coronavírus afeta diferentes perfis populacionais vêm sendo conduzidos desde o início da pandemia. Sabe-se até então que o impacto da doença é desigual de acordo com a idade, gênero, etnia e classe social dos pacientes. Um estudo, publicado na plataforma de pré-prints medRxiV, após analisar amostras de anticorpo IgG em 100 mil pessoas na Inglaterra, defendeu que a infecção por Sars-CoV-2 afeta com mais gravidade as etnias politicamente minoritárias, profissionais de saúde e  trabalhadores domésticos.

Em um recente artigo publicado pela Revista Nature, o tema sobre as populações mais vulneráveis também foi colocado em evidência. O texto relata que a cada mil pessoas infectadas, a chance de pessoas com menos de 50 anos morrer é quase zero. Contudo, quando a idade passa para a faixa entre 50 e 60 anos de idade, o risco aumenta, especialmente para os homens. Entre pessoas com mais de 75 anos, a expectativa de mortes é de 11 a cada 1000 infectados.

Em outro estudo também publicado na Revista MedRxiV, os pesquisadores usaram a métrica chamada “razão da letalidade por infecção” para medir as chances proporcionais de morte em uma população de infectados pelo vírus, incluindo pessoas que não foram testadas e que não apresentavam sintomas. Essa métrica revelou que a idade avançada ainda seria o maior preditor de morte entre as pessoas infectadas, porém, não o único preditor. O gênero dos pacientes também é considerável, já que homens morrem quase duas vezes mais do que as mulheres infectadas. 

Jessica Metcalf, demógrafa da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, relata que o sistema imunológico masculino e feminino responde de formas diferentes, e isso pode explicar os riscos com graus divergentes. Segundo Metcalf “O sistema imunológico feminino pode ter uma vantagem ao detectar patógenos um pouco mais cedo”. Para idosos, o raciocínio segue o mesmo, no processo de envelhecimento o corpo desenvolve baixos níveis de inflamação, e a Covid-19 pode sobrecarregar o sistema imunológico e levá-lo ao limite, diz Metcalf.

Apesar dos estudos citados e das preocupações relativas à taxa de mortalidade entre diferentes populações, a comunidade científica ainda deve ter mais preocupação com as doenças que se desenvolvem a partir da infecção por Sars-CoV-2. Segundo Marm Kilpatrick, pesquisador de doenças infecciosas na Universidade da Califórnia, Estados Unidos, os estudos que estamos desenvolvendo não contam a história completa do custo da pandemia. Ele afirma que a Covid-19 parece causar uma quantidade substancial de doenças de longa duração. Assim, se mostra importante que estudemos a mortalidade do vírus, mas também as consequências da sua contaminação nas diferentes populações mundiais.

Por Luiza Mugnol Ugarte

Quer receber as notícias do IDOR pelo WhatsApp? Clique aqui, salve o nosso número e mande uma mensagem com seu nome completo. Para cancelar, basta pedir!

 

Veja também