Os testes rápidos de coronavírus são eficazes?

Estudo pesquisou eficácia de testes rápidos usados para detectar o vírus Sars-CoV-2.

Desde dezembro do ano passado, a epidemia de Sars-CoV-2 vem se espalhando pelos países ao mesmo tempo que as fronteiras aumentam suas restrições de entrada. E essa diminuição do fluxo de entrada, muito se deve à falta de testes rápidos que possam rastrear de forma eficaz as pessoas que se contaminaram pelo novo coronavírus, e que podem por consequência disseminam o vírus em outros locais. Por isso diversos países adotaram a política de testar, rastrear e isolar desde o início da pandemia.

Modelos epidemiológicos sugerem que tal estratégia combinada com o uso de máscaras e distanciamento social, poderia interromper uma nova onda de infecções, sem que o lockdown se prolongasse. Mas nas últimas semanas, com o aumento do número de casos na Europa, a estratégia de testar, rastrear, isolar pode estar com seus dias contados. Além disso, o principal teste usado para detecção do vírus, o RT-PCR, pode resultar em limitações no número de testagens, devido ao escasseamento de certos reagentes.

Na busca pela eficácia de outras testagens, pesquisadores da Universidade de Rotterdam, Países Baixos, publicaram um estudo, ainda não revisado por pares, em que verificaram a eficácia de um novo teste que chegou ao mercado de diagnósticos, chamado Detecção de Rápida de Antígeno (RDT). Este é mais simples de ser produzido, mais barato, e seu resultado é mais rápido de ser processado, se comparado ao RT-PCR. Os pesquisadores estudaram cinco diferentes marcas, com amostras de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2. Os testes apresentaram grande variação de sensibilidade (entre 75,5% e 97,3%), sendo que 33% dos resultados estavam disponíveis no primeiro dia e 88% em até 2 dias. 

Os resultados mostraram que o RDT foi eficaz em detectar carga viral em amostras com quantidades altas de vírus. Porém, para amostras com carga viral menor, os resultados falso-negativos podem ocorrer com maior frequência, isto é, mesmo quando a amostra contém o vírus, o teste pode não identificá-lo. 

Ainda assim, se comparada ao RT-PCR, a aplicação habitual dos testes de RDT aumenta em 64% a probabilidade do resultado chegar no primeiro dia. Portanto, o teste rápido RDT se mostra eficaz em detectar de forma rápida possíveis pessoas contaminadas, para que aconteça o rastreio e futuro isolamento social. Entretanto, os autores advertem para a limitação de eficácia em indivíduos assintomáticos, pela provável carga viral baixa, e recomendam cautela na adoção destes testes. 

Por Luiza Mugnol Ugarte

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