Pseudociência pode agravar riscos e danos durante a pandemia

Teorias sem comprovação científica podem orientar ações que prejudicam a saúde pública.

No início da semana, publicamos um guia completo de como evitar cair em fake news sobre a pandemia. Comentamos como essas notícias falsas podem ser geradas naturalmente ou por algum interesse, como promover um determinado produto ou caluniar uma instituição. Ao falarmos agora da denominada pseudociência, você pode encontrar similaridades com as fakes news, porém, a falsa ciência pode ser ainda mais perigosa. No momento que não apenas dissemina fatos infundados, mas também reúne grupos sociais em seu entorno, obtendo muitas vezes lucros e alimentando crenças que podem ser prejudiciais à população, a pseudociência representa uma ameaça ainda maior à sociedade.

Movimentos antivacina, Terra-plana e a popular astrologia: todas são teorias que não sobreviveriam a análises por métodos científicos e, por isso, não podem ser chamadas de ciência. Isto não quer dizer que apenas as práticas científicas sejam relevantes. As atividades que envolvem crenças têm papel importante na cultura, nas artes, nas interações sociais e no autodescobrimento, mas temos que manter separado o que se escolhe acreditar do que é cientificamente comprovado, principalmente quando estamos falando de saúde pública.

 

Um estudo realizado pela Universidade de Ottawa, no Canadá, buscou destrinchar o que seriam práticas baseadas em evidências, no caso, para atendimentos de psicoterapia e de psiquiatria. Segundo a publicação, as características que mais opõem ciência e pseudociência são que a segunda, além de não utilizar métodos de controle ou de refutação de suas hipóteses, também evita a revisão por pares, isto é, a confirmação de outros especialistas não relacionados aos interesses da publicação. O problema é que muitas pseudociências são institucionalizadas, fator que promove descrédito das práticas clínicas e acadêmicas, além de induzir livremente a população através de anúncios e produtos que não precisam passar pelas rígidas avaliações da ciência. 

 

Uma ilustração disso é que, há menos de um mês, a rede social Facebook foi questionada a respeito na disseminação de informações falsas durante a pandemia de COVID-19. Segundo The Markup, organização americana sem fins lucrativos baseada em jornalismo de dados, a rede social permitia que anunciantes direcionassem seus produtos e serviços a um público com interesse em “pseudociência”, mapeando 78 milhões de pessoas na plataforma. Sob questionamento da organização, o Facebook excluiu a categoria de direcionamento, no entanto, jornalistas de outra organização mostraram que a plataforma permitia que anúncios com fake news sobre a COVID-19 fossem aprovados para circular entre os usuários do nicho.

 

Além de lucrar em cima de falácias científicas, as pseudociências podem apresentar um perigo para além daqueles que as seguem. Se estamos dependendo da criação de vacinas para proteger a população mundial, grupos que se opõem ao método podem vir a gerar sérios riscos de prolongamento e reincidência de crises na saúde pública. O melhor caminho é sempre combater de forma pacífica a desinformação, realizando questionamentos para essas teorias e baseando nossos argumentos em comprovações científicas. Mas a guerra contra a desinformação vai muito além da ação individual. Temos que cobrar das instituições oficiais que dêem a devida importância a este problema.

Escrito por Maria Eduarda Ledo

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