Temperatura, incidência solar e a contaminação por Sars-CoV-2

Pesquisadores chineses estudaram quanto os níveis de raio ultravioleta e a mudança climática podem influenciar na transmissibilidade do vírus.

Desde dezembro do ano passado, cientistas de todo o mundo buscam o porquê de algumas pessoas desenvolverem Covid-19 com maior gravidade do que outras, além de fatores já descobertos como a idade avançada e presença de comorbidades. Até agora, as pesquisas abrangem uma diversidade rica de temas, como a detecção da doença nos estágios iniciais, tratamento precoce que pode diminuir a mortalidade por Covid-19, e se a mudança de temperatura influencia na transmissão do Sars-CoV-2 (o novo coronavírus) da mesma forma que foi observada nos casos do vírus da Sars e no vírus da influenza.

Com intenção de estudar a relação entre clima e a transmissão de Sars-CoV-2, pesquisadores chineses investigaram se a contaminação pode variar à medida que os fatores meteorológicos se modificam. Mais especificamente, se altas temperaturas e radiação UV diminuem a taxa de contaminação por Sars-CoV-2. Assim, os pesquisadores coletaram dados epidemiológicos e meteorológicos de 224 cidades da China, considerando fatores como temperatura média diária e umidade relativa.

Os dados sobre raios ultravioleta (UV) foram coletados a partir de um satélite da NASA – agência do Governo estadunidense que é responsável pela pesquisa e inovação de tecnologias e programas de exploração espacial – e avaliou a taxa de radiação UV capaz de atingir a pele que alcançou a superfície das diferentes cidades. 

Os resultados mostraram que a transmissibilidade do Sars-CoV-2 não mostrou associação com a temperatura, o que sugere que a habilidade de transmissão do novo coronavírus não é influenciada pela mudança climática. Os autores afirmam que, apesar do vírus Sars de 2002 ter sido associado à mudança climática, outras zoonoses ou doenças transmitidas entre animais e humanos, como a do vírus ebola e algumas variações genéticas do vírus influenza, também ocorreram por padrões indeterminados.

Vale lembrar que o estudo tem limitações em sua representação dos padrões meteorológicos estudados, que consideraram apenas cidades específicas da China. Ademais, outros fatores, como políticas públicas locais, taxas de urbanização e recursos médicos disponíveis, podem ter influenciado a transmissibilidade da população e, por consequência, os resultados do estudo.

No início da pandemia, o tema temperatura e contaminação já foi aqui abordado. E este estudo traz mais dados que mostram que a ideia de que altas temperaturas e radiação UV podem reduzir a transmissão pelo novo coronavírus não é verdadeira. Portanto, pode ser precipitado achar que o clima mais quente pode controlar a Covid-19. Ainda assim, a pesquisa serve de base para estudos futuros, que seguem em busca de uma possível correlação entre as características epidemiológicas da Covid-19 e as condições meteorológicas dos locais por ela afetados.

Por Luiza Mugnol Ugarte

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