Entre os dias 3 e 6 de junho, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) participou da 22ª edição do Brain Congress – Congress on Brain, Behavior and Emotions, realizado no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre. Reunindo mais de 5 mil profissionais, é um dos eventos mais relevantes da neurociência no Brasil, conhecido por sua diversidade, rigor científico e clima descontraído. Este ano, a participação do Instituto destacou como suas investigações de ponta migram da bancada acadêmica para o debate internacional, a prática clínica e o cotidiano da sociedade.
Os pesquisadores Jorge Moll Neto, Everton Maraldi e Guilherme Brockington, do IDOR Ciência Pioneira, lideraram sessões sobre experiências anômalas, transcendência e espiritualidade na saúde mental. O debate abordou por que falar de espiritualidade deixou de ser um tabu para se tornar uma necessidade clínica. Além disso, explorou-se a interseção entre redes neurais biológicas, inteligência artificial e criatividade. Como destacou o Dr. Jorge Moll Neto, a ciência está em constante evolução, focada em fazer as “boas perguntas” para desbravar o cérebro, que continua sendo a grande fronteira do conhecimento.
Ainda falando de temas inovadores, o Dr. Roberto Lent, pesquisador do IDOR, apresentou em primeira mão o conceito de “Reserva Conectômica”. O termo, evidenciado em um trabalho recém-publicado na revista Brain desenvolvido em parceria com a Dra. Fernanda Tovar-Moll, presidente do IDOR e Dr. Diego Szczupak, pesquisador da Universidade de Pittsburgh, descreve o substrato neural que permite ao cérebro compensar lesões e manter funções cognitivas. Essa hipótese ajuda a explicar o conceito da neuroplasticidade, da adaptação e reorganização cerebral ao longo da vida.
A inovação também esteve presente nas discussões sobre a Doença de Alzheimer e demências. O Dr. Luis Eduardo Santos, pesquisador do IDOR, participou de uma mesa-redonda sobre os principais desafios da avaliação e investigação das alterações cognitivas. Seu estudo mais recente validou a pTau-217 como um biomarcador sanguíneo para o diagnóstico da Doença de Alzheimer. Assim, essas condições neurológicas poderão ser identificadas de forma mais precoce, reduzindo o subdiagnóstico e promovendo um tratamento mais eficaz.
A prática clínica cotidiana foi tema central nas sessões do Dr. Paulo Mattos, diretor clínico do CNA e pesquisador do IDOR, que discutiu os desafios do TDAH em adultos, incluindo o descontrole de impulsos e a segurança de psicoestimulantes. Ele ainda fez uma reflexão crítica sobre a validade dos critérios diagnósticos atuais presente no DSM-5 frente à hiperconectividade e ao uso intenso de mídias sociais, fenômenos que não existiam quando os critérios foram formulados.
O estande do IDOR promoveu a integração entre ciência e sociedade, com destaque para o bate-papo e sorteio do livro “Existo, logo penso: histórias de um cérebro inquieto”, do Dr. Roberto Lent e também do livro “3 mulheres”, do Dr. Claudio Ferrari. Outra atividade que movimentou nosso espaço foi a demonstração do uso do fNIRS (espectroscopia funcional por infravermelho próximo). Esse equipamento é uma ferramenta portátil e robusta utilizada para medir a atividade cerebral em contextos que a ressonância magnética tradicional não alcança, abrindo portas para novas abordagens de investigação neurológica.
A sinergia entre a pesquisa desenvolvida no IDOR e a aplicação prática na Rede D’Or reforçou o nosso compromisso com a neurociência translacional. A pesquisa não finaliza com a publicação de um artigo; ela termina no cuidado e na transformação da vida das pessoas.