Estudo propõe definição padronizada para pneumonia não responsiva e orienta médicos na reavaliação diagnóstica e terapêutica
Uma revisão publicada na revista Intensive Care Medicine, com participação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), analisa como tratar pacientes com pneumonia que não melhoram após 48 a 72 horas de antibioticoterapia, um cenário crítico nas UTIs. O artigo propõe critérios objetivos para definir a não resposta clínica e descreve estratégias diagnósticas e terapêuticas para reduzir a mortalidade, que pode ultrapassar 40% nesses casos.
Pneumonia na UTI e o risco da não resposta ao tratamento
A pneumonia é a infecção mais comum nas unidades de terapia intensiva. Na maioria dos casos, espera-se melhora clínica nas primeiras 48 a 72 horas após o início do antibiótico correto. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes não apresenta uma evolução positiva.
Segundo a revisão, as taxas de não resposta variam de 15% a 30% em casos graves de pneumonia adquirida na comunidade. Nos casos de pneumonia hospitalar ou associada à ventilação mecânica, esse número pode chegar a 45%, especialmente quando há envolvimento de patógenos multirresistentes.
O impacto é expressivo. Quando a pneumonia não responde ao tratamento inicial, o risco de mortalidade pode ultrapassar 40%, tornando essencial uma reavaliação sistemática e rápida.
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Como definir um paciente não respondedor
Um dos principais avanços propostos pelo artigo é a padronização do conceito de pneumonia não responsiva, que considera quando, após 72 horas de antibioticoterapia adequada, o paciente não apresenta melhora clínica.
Os critérios incluem febre persistente, piora da oxigenação e ausência de redução de biomarcadores inflamatórios, como proteína C reativa e procalcitonina. A combinação desses sinais ajuda a diferenciar uma evolução lenta esperada de uma falha terapêutica real.
A recuperação pode ser influenciada por diversos fatores, como idade avançada, imunossupressão e presença de choque séptico (grave inflamação generalizada) sendo os associados aos piores desfechos. O tipo de patógeno causador da pneumonia também é determinante, especialmente em cenários com bactérias resistentes.
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Por que o antibiótico pode falhar
A não resposta à terapia antibiótica pode ter diversas e múltiplas causas. Uma delas é o uso de um antibiótico inadequado diante de um microrganismo resistente. Outra possibilidade é a falta de controle do foco infeccioso, como ocorre no empiema, quando há acúmulo de pus nos pulmões.
O artigo também chama atenção para diagnósticos alternativos que podem simular pneumonia, como insuficiência cardíaca e embolia pulmonar. Em alguns casos, o problema não é infeccioso, mas inflamatório ou cardiovascular, o que exige uma mudança completa na abordagem terapêutica.
Reavaliação estruturada: imagem, laboratório e broncoscopia
Diante da suspeita de não resposta, os autores recomendam uma investigação estruturada. O primeiro indicado seria revisar o diagnóstico inicial e a adequação da dose do antibiótico ao estado crítico do paciente.
A tomografia computadorizada de tórax é considerada superior ao raio X na identificação de complicações e diagnósticos alternativos. Exames laboratoriais adicionais e a chamada broncoscopia com lavado broncoalveolar podem ajudar a identificar patógenos resistentes, fungos ou vírus, especialmente em pacientes imunocomprometidos, o que permite refinar o diagnóstico e evitar tanto o uso excessivo quanto a suspensão precoce de antimicrobianos.
Ajuste personalizado de terapia antibiótica
Os autores destacam que a modificação do tratamento deve ser baseada em julgamento clínico individualizado, podendo, em alguns casos, ser necessário ampliar o espectro antimicrobiano para cobrir bactérias resistentes. Em outros, a inclusão de antifúngicos ou antivirais pode ser indicada.
O artigo reforça que o manejo da pneumonia não responsiva exige equilíbrio entre evidência científica e análise individual do paciente. A busca por precisão diagnóstica e a revisão constante da terapia são fundamentais para melhorar desfechos e reduzir mortalidade. Ao propor critérios claros e um roteiro de reavaliação, o estudo oferece ferramentas práticas para enfrentar um cenário bastante desafiador da terapia intensiva.
Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.