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Como o Diabetes pode afetar o coração?

Por: Rede D'Or
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A associação entre Diabetes Mellitus e doença cardiovascular já é conhecida desde a década de 19701. Estima-se que 80% dos pacientes diabéticos morrem por causas cardiovasculares no Brasil e no mundo2. De acordo com dados do estudo multinacional Capture, publicado em 2019, cerca de 30% dos pacientes portadores de diabetes que procuram atendimento médico já tem doença cardiovascular estabelecida2.

O Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela hiperglicemia, que consiste na elevação crônica de açúcar na corrente sanguínea devido a deficiência na produção ou a resistência à ação da insulina3. O excesso de açúcar circulante se torna tóxico para o organismo e promove alterações na conformação das proteínas celulares, aumento de radicais livres e de estresse oxidativo, o que provoca inflamação e causa danos à parede das artérias3,4. Estes são os principais mecanismos responsáveis pela desregulação da função do endotélio, que é o tecido que reveste as artérias, tornando os vasos mais rígidos e predispondo a formação de coágulos em seu interior. Além disso, assim como a obesidade, o colesterol alto e a hipertensão arterial, o diabetes contribui também para a formação de placas de gordura na parede das artérias, o que pode entupir os vasos e levar ao infarto agudo do miocárdio, ao acidente vascular cerebral e a doença arterial oclusiva das pernas3,4. A hiperglicemia pode alterar da mesma forma os vasos renais, levando a perda de proteínas pela urina, o que a longo prazo, provoca a perda da função renal e contribui para o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica5.

Sabe-se também que a hiperglicemia pode provocar alterações no funcionamento do miocárdio, que é o músculo do coração, levando ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca6. A hiperinsulinemia, que é o excesso de produção de insulina e que também está relacionada ao desenvolvimento do Diabetes, pode contribuir conjuntamente para essas alterações levando ao crescimento do miocárdio e à dificuldade de relaxamento do coração6. Além disso, o entupimento da circulação impede a chegada de sangue promovendo isquemia das paredes do coração, contribuindo para a evolução da insuficiência cardíaca6. O resultado é um miocárdio fibroso e rígido, com dificuldade de bombear o sangue de forma adequada, consequentemente com perda de sua função.

Por essas razões, pacientes diabéticos são considerados de alto risco para doenças cardiovasculares, que frequentemente ocorrem de forma silenciosa e pode ser fatal.

Dra. Pâmela Cavalcante

Cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, (Brasília-DF) – Rede D’Or

Referências:
1-Rubler S, Dluglash J, Yuceoglu YZ, Kumral T, Branwood AW, Grishman A. New type of cardiomyopathy associated with diabetic glomerulosclerosis. Am J Cardiol 1972;30:595- 602.
2-Mosenzon O, Alguwaihes A, Arenas Leon J.L., et al. CAPTURE: a cross-sectional study of the contemporary (2019) prevalence of cardiovascular disease in adults with type 2 diabetes across 13 countries. Abstract 158. Presented at the 56th Annual Meeting of the European Association of the Study of Diabetes, Macrovascular complications and beyond, 10:15 CEST on 24 September 2020.
3-Zhang PY. Cardiovascular disease in diabetes. Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2014;18(15):2205-14
4- Henning RJ. Type-2 diabetes mellitus and cardiovascular disease. Future Cardiol. 2018 Nov;14(6):491-509.
5-Sagoo MK, Gnudi L. Diabetic Nephropathy: An Overview. Methods Mol Biol. 2020;2067:3-7.
6- OKOSHI, Katashi et al. Miocardiopatia diabética. Arq Bras Endocrinol Metab 2007, vol.51, n.2, pp.160-167.